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Rui Rio desafia Fluvial a apresentar solução para a insolvência

Rui Rio desafia Fluvial a apresentar solução para a insolvência

O presidente da Câmara Municipal do Porto desafiou o Fluvial Portuense a apresentar uma saída para a situação em que se encontra mergulhado, de insolvência, evitando, desse modo, que a autarquia compre as suas instalações.

O clube, através do seu presidente, Valentim Miranda, respondeu que o ideal seria "uma solução conjunta" entre as duas partes, mas informou também que, "na impossibilidade de se concretizar tal vontade", a sua direção apresentou esta segunda-feira "um plano de recuperação do clube individualmente".

O problema do Fluvial fazia parte da ordem de trabalhos da Assembleia Municipal que se realizou segunda-feira à noite, mas a sua discussão acabou por ser adiada, por iniciativa de Rui Rio, com o apoio unânime de todas as forças políticas.

A proposta que ia ser apreciada e depois votada era a compra das instalações do Fluvial pela própria Câmara Municipal, por 1,3 milhões de euros, mas Rio antecipou-se e disse que se o clube "tem meios para pagar" o que deve, que são cerca de dois milhões de euros, a Assembleia devia passar esse ponto para o "último lugar".

"O Fluvial tem dinheiro para pagar as suas dívidas? Se sim, esfrego as mãos", afirmou o autarca, sugerindo que o debate possa fazer-se na próxima reunião do órgão, já marcada para 11 de Julho.

Rio frisou que o executivo sob a sua presidência "segue uma filosofia contrária à desta proposta" e que consiste em vender mais do que comprar, porque, no seu entender, "há câmara e Estado a mais" na sociedade portuguesa.

"Mas neste caso trata-se de uma colectividade que está em insolvência" e o que a Câmara pretende, segundo Rio, é "evitar" que as instalações respetivas vão para hasta pública, "podendo ser compradas por um privado, por um valor irrisório".

"Aquilo que ali está, em larga medida, foi dado pela Câmara Municipal", continuou, referindo-se ao parque desportivo do Fluvial, de que faz parte um moderno complexo de piscinas coberto.

Segundo Rio,"aquilo que foi dado" a esta instituição portuense pela Câmara Municipal totaliza "10 milhões de euros" e agora "chega".

"Foi isto que me fez recuar e fazer o contrário do que deve ser feito em Portugal", que é privatizar, insistiu, alegando que "é um dever da câmara evitar que aquele património passe para as mãos de um privado".

Os deputados ouviram e concordaram com a proposta de Rui Rio. Já no período reservado ao público, Valentim Miranda, defendeu "uma solução conjunta" para o problema e acrescentou então que o clube apresentou "um plano de recuperação" em seu nome.

"Não o apresentamos contra a Câmara, mas em defesa do património e bom nome do Clube Fluvial Portuense", afirmou o dirigente.

A solução preferida pelo Fluvial é um "protocolo" com a autarquia que lhe permita manter o seu "prestigiado património", que inclui ainda uma área comercial, umas bombas de gasolina e um "edifício histórico" em Gaia.

Em troca, o clube mostra-se disposto a ceder à Câmara Municipal "toda a área do pavilhão", avaliada em quase 1,9 milhões de euros, um terreno contíguo e espaço para a sede da empresa municipal, Porto Lazer.