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Equipamento para tratar cancro no S. João já foi substituído

Equipamento para tratar cancro no S. João já foi substituído

O Hospital de S. João, no Porto, garantiu, esta quarta-feira de manhã, ​​​​​que o equipamento de radioterapia avariado foi substituído em fevereiro e que os constrangimentos no serviço estão "ultrapassados".

Em causa está a queixa de um doente à Entidade Reguladora da Saúde. Após uma avaria, o paciente teve de esperar quase dois meses para começar o tratamento.

De acordo com Fernando Araújo, presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João, até fevereiro, o serviço de radioterapia tinha dois aparelhos, sendo que um deles, por ser "muito antigo", "não tinha robustez necessária para trabalhar em contínuo". Devido às sucessivas avarias, entre o último trimestre de 2018 e fevereiro deste ano, 60 utentes foram transferidos por dia para outras unidades hospitalares.

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"Não temos informação específica de algum doente que tenha tido um impacto clínico negativo por causa deste problema", garantiu Fernando Araújo.

Atualmente, após a receção da licença para utilizar o novo equipamento, o S. João voltou a dar resposta a todos os pacientes. São assistidos 28 mil doentes anualmente, ou seja, cerca de 120 pessoas por dia.

Confrontado com o facto do novo equipamento ter estado parado um ano, Fernando Araújo esclareceu que são "aparelhos que emitem radiações e exigem autorizações de várias entidades, não só da Saúde". "São processos demorados, exigentes, mas que visam garantir a segurança de quem trabalha e dos doentes", explicou o médico, em conferência de Imprensa.

A Entidade Reguladora da Saúde auscultou o S. João e o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, responsável pelo diagnóstico do utente, tendo criticado a atuação das duas unidades hospitalares. Na deliberação, aprovada em janeiro, a ERS considera que, sendo do conhecimento do S. João os problemas com o aparelho e devido "à urgência do tratamento", o hospital deveria ter "acautelado a existência de um procedimento alternativo em caso de avaria".

"Constata-se que a conduta do Centro Hospitalar de S. João não se revelou suficiente à garantia dos direitos e interesses legítimos dos utentes, em especial o direito à prestação de cuidados de saúde de qualidade, em tempo útil e adequados à sua situação clínica", lê-se no documento.

Em relação ao Hospital Pedro Hispano, que diagnosticou e encaminhou o doente para o S. João, o Regulador da Saúde diz ser "inaceitável" a "desresponsabilização assumida na procura de uma solução para o utente". Acrescenta ainda que a unidade deveria "dotar o utente da informação necessária para que pudesse conhecer as alternativas de tratamento existentes".

Contactado pelo JN, o Hospital Pedro Hispano garantiu que reúne com o S. João para "definir o tratamento mais indicado para cada utente". "Temos verificado um normal funcionamento desta articulação, nomeadamente no que se refere aos tempos de espera determinados, cabendo ao Hospital de S. João tomar as diligências necessárias para efetivação do tratamento", acrescentou.

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