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Só 10 dos 26 Hostels do Porto estão legalizados

Só 10 dos 26 Hostels do Porto estão legalizados

O Porto registou nos últimos cinco anos um 'boom' de hostels e hoje há 26 unidades hoteleiras do género e seis novos pedidos diários na câmara, mas só 10 é que estão legalizados, alerta a responsável pela Associação de Hostels do Norte de Portugal.

Informações recolhidas pelo Turismo do Porto junto da Câmara Municipal do Porto indicam que dos 26 hostels identificados na cidade só 10 estão com o processo de legalização terminado pela autarquia, entidade responsável para atestar a classificação dos alojamentos locais e para os fiscalizar.

Em entrevista à Lusa, o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, explicou que há cinco anos existia "um hostel" na cidade do Porto, "no máximo dois", e que se calcula que haja atualmente 26.

O 'boom' das unidades hoteleiras com preços mais baixos é um facto incontornável no Porto e "estão a dar uma dinâmica fora de série à cidade", conta à Lusa Joana Dixo, responsável pela Associação de Hostels no Norte de Portugal e proprietária do Dixo's Oporto Hostel, unidade que em 2011 recebeu a distinção de 3.º melhor do mundo nas categorias de mais pequeno (até 50 camas) e mais limpo.

A jovem empresária critica, todavia, a explosão avassaladora das unidades hoteleiras 'low cost' no Porto, que vendem camas por "seis euros" a noite e que podem comprometer a qualidade dos hostels já implementados no Porto, alguns deles distinguidos com prémios de qualidade.

Para fazer face à concorrência de unidades hoteleiras ilegais, a Associação de Hostels quer criar uma marca de qualidade para fazer a distinção num mercado em que começam a existir mais camas do que clientes", anunciou aquela responsável, referindo que o plano é criar a marca em parceria com o Turismo do Porto e Norte de Portugal.

"Temos que criar uma distinção para os hostels que têm qualidade, dão uma boa experiência ao turista que visita a cidade e estão de acordo com toda a legislação imposta e faturação", defende Joana Dixo, referindo que a "legislação do hostel tem de ser cada vez mais clara e rigorosa".

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Segundo Rui Pina, proprietário do Rivoli Cinem Hostel, unidade que recebeu em 2010 e 2011 a distinção do 5.º melhor do mundo na categoria de pequeno, conta que há três anos que espera pelo fim do processo de legislação.

"O pedido de registo foi feito e esse título é válido para abertura segundo a portaria 517/2008, mas na realidade ainda estamos em processo de licenciamento por causa das características do edifício", explica Rui Pina, adiantando que há muitos hostels na mesma situação.

O 'boom' dos hostels é fruto da crescente chegada à cidade do Porto de pessoas mais novas do que o habitual, mas também fruto da oportunidade de viajar a um custo mais baixo, através das companhias aéreas "low cost" e dos intercâmbios universitários como o Erasmus, que trazem estudantes novos em setembro e janeiro, esclarece o responsável pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal.

"Surgem cada vez mais hostels e exemplo disso é o número de pedidos que diariamente chegam à Câmara do Porto, que anda à volta dos seis pedidos diários", conta Melchior Moreira, acrescentando que em média, de 2011 para 2012, houve um aumento de cerca de 300 camas.

O custo por noite, em média, num quarto de hostel com camaratas é de 16 euros e os principais proprietários no início do 'boom' são sobretudo jovens estrangeiros que optaram ficar a viver no Porto.

Segundo a presidente da Associação de Hostels do Norte há, todavia, uma quebra de ocupação em 2012 de 30 a 40 por cento em relação a 2011.

Perto do verão está previsto abrir um novo hostel em S. Bento, segundo informações dadas recentemente pelo responsável da empresa Observar o Futuro, João Teixeira, que gere o hostel do Rossio e vai gerir o novo alojamento.

A Lusa tentou obter informações junto da Câmara Municipal do Porto para explicar o porquê dos processo de legalização serem tão morosos, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

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