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Socialistas rejeitam apoiar Nuno Cardoso para a Câmara do Porto

Socialistas rejeitam apoiar Nuno Cardoso para a Câmara do Porto

O antigo presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso, que manifestou esta quinta-feira à Lusa a sua disponibilidade para se recandidatar ao cargo, não será o candidato do Partido Socialista nas autárquicas de 2021, disse hoje à Lusa fonte da distrital.

"Não temos nenhum comentário a fazer, sendo certo que o engenheiro Nuno Cardoso não será o candidato do PS à Câmara Municipal do Porto", avançou à Lusa fonte da distrital do PS do Porto.

Nuno Cardoso, que presidiu à Câmara do Porto entre 1999 e 2002, disse hoje estar disponível para encabeçar uma candidatura autárquica, eventualmente com o apoio do PS, mostrando-se desgostoso com a dinâmica na cidade nos últimos 20 anos.

"Ao fim de 20 anos, sinto um certo desgosto que esse movimento e essa dinâmica [conseguida nos 12 anos em que o Partido Socialista liderou a Câmara do Porto] tenha esmorecido e tenho dificuldade de ver o que é que foi feito de estruturante que tivesse mudado o Porto. Não vejo nada. Neste momento, há duas obras importantes em curso, uma delas é o Mercado do Bolhão, mas 20 anos passaram", salientou, em declarações à Lusa, o ex-autarca que em 2013 se candidatou à Câmara do Porto como independente.

Assumindo-se como um socialista "desde sempre", o ex-autarca que em 1999 substituiu Fernando Gomes na presidência da autarquia portuense, admite que gostaria de ter o apoio do Partido Socialista, mas salienta que a decisão compete ao partido e não esclarece se avança como mesmo sem o apoio socialista, nomeadamente como independente.

"Isto é um projeto coletivo, vamos começar a agregar pessoas e ideias. Queremos, no fundo, criar um projeto para apresentar à cidade que seja altamente mobilizador. Depois, veremos qual o veículo que será utilizado. Quem vier por bem, é sempre bem acolhido. Toda a gente será bem acolhida", disse, defendendo que o Porto deve ter um papel no país muito mais importante do que tem hoje.

Em outubro de 1999, Nuno Cardoso substituiu na presidência da Câmara do Porto o socialista Fernando Gomes, que foi convidado a integrar o XIV Governo Constitucional como Ministro da Administração Interna.

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Cardoso deixou os Paços do Concelho no início de 2002, com a tomada de posse do social-democrata Rui Rio.

"Estive quatro anos na política, enquanto presidente da Câmara [do Porto], estive 20 anos fora e eu acho que a política para mim é um serviço público. Neste momento, eu sinto é a disponibilidade para voltar à vida pública. Efetivamente, há um conjunto de amigos, sempre houve, que me mobilizam muito para eu me motivar para regressar ao Porto. É nesse ponto que estamos", declarou.

O ex-autarca lembrou que, nos 12 anos em que o PS liderou os destinos da cidade do Porto, foram operados um conjunto de projetos e obras estruturais para cidade, como são exemplo, a demolição de 3.000 barracas no Parque da Cidade, a conquista da vinda do metro para cidade e o Porto 2001, Capital da Cultura.

Contudo, 20 anos passados, a Região Norte continua a ser das regiões com um Produto Interno Bruto (PIB) per capita menor da Europa e do país, lamentou.

"Quando uma pessoa conhece o dinamismo, a qualidade, o empreendedorismo das gentes do Norte não se percebe como é que nós estamos na cauda da Europa em termos de PIB, é efetivamente por incapacidade política. Nós não temos voz política", disse, apontando a regionalização como uma saída possível.

Para Cardoso, a regionalização só será concretizável se for empreendida uma luta política conjunta com participação de todos os autarcas da região.

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