Contágio

Surto de covid-19 na GNR do Porto após almoços-convívio

Surto de covid-19 na GNR do Porto após almoços-convívio

Dois almoços festivos, um dos quais juntou 70 militares para assinalar a despedida do coronel Jorge Ludovico Bolas da liderança do Comando Territorial do Porto, poderão estar na origem de um surto que já infetou com coronavírus cerca de 20 militares da GNR, colocados no Quartel do Carmo. Vários outros guardas estão em isolamento e há três serviços que já foram encerrados.

Ao JN, o Comando-Geral da GNR garantiu que "a Guarda pauta a sua atuação pelo cumprimento das regras em vigor". No entanto, não confirmou, nem desmentiu, a realização dos almoços.

Segundo o JN apurou, o primeiro almoço realizou-se no dia 8 deste mês e reuniu cerca de 70 militares na messe dos guardas do Quartel do Carmo. Todos os oficiais, sargentos e guardas quiseram despedir-se do coronel Jorge Ludovico Bolas, comandante da unidade do Porto desde dezembro do ano passado, mas foi substituído no cargo, este mês, pelo coronel João Fonseca.

No dia seguinte, 9 de outubro, a messe dos guardas voltou a ser palco de um almoço-convívio com 20 pessoas. Desta vez, para marcar o fim da carreira de um dos elementos da Secção dos Recursos Humanos.

Três dias depois, um militar que participou nos dois eventos acusou positivo no teste à covid-19 e, de imediato, informou o Centro Clínico da GNR. A pedido dos médicos, elaborou uma lista com os nomes dos militares com quem tinha contactado e incluiu todos os que participaram nos almoços. Foram, então, efetuados testes de despistagem e, no dia 16, as secções de Recursos Humanos, Logística/Finaceira e de Inativação de Explosivos seriam encerradas e os seus elementos isolados.

GNR não comenta almoço

Confrontado pelo JN com os dois eventos, o Comando-Geral da GNR optou pelo silêncio. Confirmou, no entanto, que, na quinta-feira, encontravam-se no Comando Territorial do Porto "31 militares positivos (no domicílio) e 17 suspeitos em isolamento e a aguardar o resultado de teste efetuado, perfazendo, desta forma, um total de 46 militares na situação de quarentena".

PUB

A mesma fonte acrescentou que, "para prevenir qualquer tipo de contágio, as instalações [do Quartel do Carmo] foram desinfetadas pela Unidade de Emergência, de Proteção e de Socorro" e foram efetuados, pelo Centro Clínico da GNR, testes de despistagem à covid-19. Sete na passada segunda-feira, 9 na terça e 11 na quarta, sendo que ainda não são conhecidos os resultados destes últimos.

"O Comando Territorial do Porto conta com um efetivo de 1625 militares, pelo que desta situação não resultou qualquer limitação ao cumprimento da missão da GNR", releva o Comando-Geral. O mesmo que, no final da semana passada, avançou que havia, em todo o efetivo, "confirmados 86 militares infetados com covid-19 e 40 casos suspeitos, todos eles em isolamento". "Além destes, 195 militares encontram-se em quarentena e, no total, já foram curados 139 militares e 1390 terminaram a vigilância", anunciava.

Para o Comando-Geral, a "Guarda pauta a sua atuação pelo cumprimento das regras em vigor, procurando garantir o necessário distanciamento a manter entre os militares nas diversas situações, bem como o recurso ao equipamento de proteção individual utilizado pelos seus militares". O JN sabe que, nos últimos dias, foram canceladas outras iniciativas para homenagear oficiais que, tal como o coronel Jorge Ludovico Botas, vão abandonar o Comando do Porto.

Linha "entupida" desespera militares da Guarda

O acompanhamento, à avaliação e tratamento dos militares com suspeita, infeção confirmada ou contacto com casos positivos de covid-19 é feito através do Centro Clínico, que dispõe de uma linha telefónica dedicada, replicando o SNS24. Mas, com o aumento dos casos, a linha não tem dado vazão."A linha telefónica está permanentemente ocupada pois é aberta a todos, desde militares na reserva, reformados e familiares. Há dias recebi a mensagem de um militar que esteve em contacto com um colega infectado. A SNS24 mandou-o ficar em quarentena e ele tentou ligar para o Centro Clínico para dar conhecimento, mas ninguém atendeu", referiu César Nogueira, da Associação dos Profissionais da Guarda. O JN tentou obter uma reação do Comando-Geral da GNR, que não respondeu até ao fecho desta edição.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG