Porto

Trabalhadores de limpeza do Hospital de S. João exigem "respeito"

Trabalhadores de limpeza do Hospital de S. João exigem "respeito"

Em greve durante 24 horas, os trabalhadores da empresa Euromex que fazem a limpeza do Hospital de S. João, no Porto, exigem tolerâncias de ponto semelhantes às dos funcionários da própria unidade. Empresa diz que pedido não tem disposição legal.

Num caderno reivindicativo entregue há mais de seis meses à empresa Euromex, explica Eduardo Teixeira, do Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Atividades Diversas (STAD), os trabalhadores que fazem a limpeza do Hospital de S. João, no Porto, exigem que lhes seja concedida uma folga quando trabalham em dias como a véspera de Natal ou de Ano Novo, à semelhança dos funcionários da própria unidade.

Os trabalhadores, explica Eduardo Teixeira, perderam esta "pequeníssima gratificação" quando a empresa prestadora mudou para a Euromex, há dois anos.

Em resposta ao JN, a empresa diz que a greve "tem, única e exclusivamente como propósito, obter prerrogativas que vão muito além do previsto no Código do Trabalho e no Contrato Coletivo de Trabalho (CTT)" e que o caderno reivindicativo entregue "pretende ver concedidas regalias que extravasam as obrigações decorrentes dos normativos legais e laborais vigentes, e que são integralmente cumpridos por esta empresa".

"Pretende o STAD que, a estes mesmos trabalhadores de limpeza hospitalar, sejam concedidas as tolerâncias de ponto que são, em regra, concedidas aos trabalhadores com vínculo à função pública", nota a Euromex, explicando que "a concessão de tolerâncias de ponto cumpre nuances que, por força das particularidades do serviço, não são gozadas na sua plenitude" e que "atribuição carece de discussão, análise e dedicação, não sendo negociável de forma imponderada num serviço essencial, onde se põe em causa a saúde pública".

Limpeza em áreas de tratamento da covid-19

Eduardo Teixeira aponta ainda "o aumento de responsabilidade" atribuída a estes trabalhadores que, "sem formação adequada ou equipamentos de proteção individual adaptados", ficaram também encarregues pela limpeza em áreas específicas para o tratamento da covid-19, Eduardo Teixeira diz que está a ser posta em causa a saúde dos trabalhadores. De acordo com o sindicalista, "quase metade do pessoal" está em isolamento.

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"Querem que façam a limpeza de bata vestida e com uma máscara colocada, quando esses serviços eram realizados com um escafandro", observa Eduardo Teixeira, dizendo que os trabalhadores exigem "respeito" e dando nota de que, nesta quinta-feira, decorreu uma última reunião entre o sindicato e a empresa, mas que a firma não mostrou "nenhuma abertura para resolver o problema".

A partir de 2023, acrescentou, altura em que o contrato de prestação de serviços entre a empresa e a Administração do Hospital de S. João é renovado, "o hospital poderá solucionar esta questão através do caderno de encargos", nota o sindicalista.

No entanto, dado que é um direito dos trabalhadores que nunca foi retirado, reforça, o STAD continuará a tentar dialogar com a empresa para encontrar uma solução. Caso contrário, acrescenta Eduardo Teixeira, haverá novas formas de luta.

A adesão à greve desta sexta-feira, de acordo com o STAD, está entre os 85% e os 90%. Houve uma concentração de trabalhadores em frente ao Hospital de S. João, esta manhã, das 9.30 horas às 11.30 horas.

Sobre a adesão à greve, a Euromex acrescenta que o sindicato "ignorou o Despacho do Ministério Do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Saúde, ao fixar os serviços mínimos" e "lamenta que o STAD se tenha demitido em absoluto de cumprir com os ditos serviços mínimos em unidade hospitalar, em pleno surto pandémico".

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