Porto

Trabalhadores querem o controlo da STCP em caso de privatização

Trabalhadores querem o controlo da STCP em caso de privatização

Os trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto estão dispostos a assumir o controlo da empresa, caso o governo decida pela sua privatização, por acreditarem que a mesma é viável e sustentável.

"Verificámos que é possível a empresa ser sustentável e que a STCP seria um bom negócio", afirmou à Lusa um membro do conselho de quadros, órgão que esteve a fazer um trabalho sobre a sustentabilidade da empresa.

A mesma fonte adiantou ter já sido entregue uma proposta ao conselho de administração e pedida uma reunião com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, para abordar a questão.

O conselho de quadros entende que, se a opção do governo for privatizar a STCP, "os trabalhadores assumem-se como os principais interessados" na sua aquisição, através de uma Management Buy-Out (MBO), operação que se traduz na tomada de controlo do capital de uma dada sociedade, que pode ser total ou parcial, pela equipa de gestão.

Contactado pela Lusa, o coordenador da comissão de trabalhadores da STCP, Ricardo Cunha, sublinhou a ideia, afirmando que, "apesar da CT estar contra a privatização", se for este o seu destino traçado pelo governo, "os trabalhadores estão dispostos a assumir o seu controlo".

"Em reunião que tivemos hoje de manhã com o conselho de quadros afirmámos estar dispostos a defender a empresa, acreditando que a STCP pode ser sustentável", disse Ricardo Cunha.

O membro do conselho de quadros acrescentou que a proposta apresentada ao CA prevê, em primeiro lugar, a conclusão do processo de reestruturação da empresa, que está em curso, e que demonstra que "foi possível aumentar a produtividade em 49 por cento da empresa nos últimos 13 anos".

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"Este é um processo contínuo, responsável e planeado, que queremos continuar", disse, acrescentando que o conselho de quadros "não quer que se estrague este plano de reestruturação pelo simples facto de confundirem a realidade da STCP com a de outras empresas" do setor dos transportes.

Os trabalhadores "acreditam no projecto e na empresa", sustentou, acrescentando que as empresas públicas de transportes, apesar de estarem a ser colocadas "no mesmo pé, estão em realidades de evolução diferentes".

O conselho de quadros "não conta com a dívida histórica da empresa" e acredita que a sustentabilidade do negócio e o património da empresa serão garantia suficiente para atrair capitais e investidores nesta operação.

O coordenador da CT adiantou que vai solicitar ao CA uma reunião urgente, que contará também com a presença do conselho de quadros, para abordar esta questão.

Contactado pela Lusa, o conselho de administração optou por não comentar a proposta.

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