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Tudo o que precisa de saber sobre o caso de Catarina e o "bebé milagre"

Tudo o que precisa de saber sobre o caso de Catarina e o "bebé milagre"

Catarina ficou em morte cerebral quando estava grávida de três meses. Foi mantida viva artificialmente para poder dar à luz o filho. Salvador nasceu na quinta-feira, no Porto. Leia abaixo as perguntas e respostas sobre o caso.

Catarina Sequeira teve um ataque de asma às 12 semanas que a atirou para um coma induzido no Hospital de Santos Silva, em Gaia. Pouco depois, entrava em coma profundo e, às 19 semanas de gravidez, em morte cerebral.

Depois de a comissão de ética se pronunciar no sentido do prolongamento da gestação e de a família ter dado autorização, Catarina foi levada para o Hospital de S. João, onde os médicos a ligaram a um suporte artificial de vida para que conseguisse dar à luz, quando chegasse a altura, às 32 semanas. Os médicos avisaram a família de que a jovem de 26 anos seria numa "incubadora humana", disse a avó, Maria de Fátima Branco.

O parto estava previsto para sexta-feira, 29 de março, mas foi antecipado devido a algumas complicações. Salvador nasceu às 4.32 horas de quinta-feira, às 31 semanas e seis dias, em resultado de uma cesariana de urgência. Apesar de ter nascido com dificuldades respiratórias, o seu estado de saúde está a evoluir bem. Pesa 1700 gramas e mede 40 centímetros.

O funeral de Catarina realiza-se esta sexta-feira, pelas 15 horas, na igreja de Crestuma. Findas as cerimónias, o corpo será cremado no crematório de Paranhos, no Porto. A missa de sétimo dia realiza-se na próxima quarta-feira, dia 3 de abril, às 20 horas, na igreja de Crestuma.

Quantos dias esteve Catarina em morte cerebral?

A morte cerebral de Catarina Sequeira foi declarada a 26 de dezembro, no Hospital de Gaia, e a transferência para o Hospital de São João, "já com o certificado de óbito passado", foi realizada no dia 1 de fevereiro, com "24 semanas e uns dias" de gravidez. No total, a mãe de Salvador esteve 92 dias em morte cerebral.

Quais foram os principais desafios clínicos?

O grande desafio da equipa multidisciplinar que acompanhou o caso foi "manter o corpo e os órgãos viáveis. Isso passa por garantir a estabilidade hemodinâmica, respiratória e metabólica" e evitar "os problemas decorrentes da morte cerebral como as disfunções hipofisárias que causam graves distúrbios metabólicos", explicou Teresa Honrado, diretora do serviço de medicina interna, do Hospital de S. João.

Que riscos corre o bebé?

Depois de nascer, devido à imaturidade do sistema respiratório, Salvador necessitou de ser ventilado, mas o suporte terá sido retirado ainda ontem. Segundo a diretora do serviço de neonatologia do Hospital de S. João, é um bebé igual aos outros prematuros com a mesma idade e "está a comportar-se como um bebé de 32 semanas". Para Hercília Guimarães, a dúvida que se coloca agora e nos próximos tempos é saber se Salvador terá alguma sequela decorrente da falta de oxigenação da mãe durante o forte ataque de asma que sofreu em dezembro.

Manter uma vida legitima intervenção terapêutica num cadáver?

Só por uma razão muito forte, como a manutenção de uma vida, é legítimo manter um cadáver tanto tempo ligado às máquinas, explicou o presidente da comissão de ética do Hospital de S. João. Filipe Almeida notou que, no caso em questão, a decisão não foi difícil porque o pai da criança e a equipa clínica tiveram posições coincidentes. Mas realçou que, mesmo depois de tomada a decisão de manter a grávida em suporte artificial de vida até ao parto, foi necessário acompanhar a evolução clínica, porque podia surgir algum dado novo que justificasse interromper aquela gravidez, como por exemplo, a deteção de uma doença muito grave.

Quando é que o bebé irá para casa?

A correr tudo bem, dentro de três semanas a um mês, Salvador terá alta hospitalar. O pai da criança tem recebido acompanhamento psicológico para lidar com a situação.

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