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Vegetação esconde tendas para tráfico de droga

Vegetação esconde tendas para tráfico de droga

Acampamento montado para traficar e consumir droga no meio de um terreno na Rua de São João do Porto.

Na Rua de São João do Porto, em Lordelo do Ouro, o mato esconde tendas montadas no meio de um terreno, onde o consumo de droga se faz às claras. À entrada do descampado, a erva calcada abre um trilho. Da varanda, Alexandra Esteves visualiza tudo. Vive em frente, no nono andar de um condomínio. "Parece um acampamento. É uma autêntica lixeira. Enfiam-se nos arbustos e vemo-los a drogarem-se", conta.

Há cerca de um mês, e tendo em conta que a artéria faz parte da rota de várias crianças a caminho da Escola Leonardo Coimbra, Alexandra Esteves reportou o caso à Câmara do Porto. Aguarda resposta. Confirmando a existência de duas reclamações, a Autarquia garantiu ao JN que foi "efetuada uma fiscalização ao local e constatada a existência de alguns focos de vegetação que carecem de intervenção", bem como "a existência da ocupação por pessoas e tendas". Acrescentou ainda que "está a ser apurada a titularidade do terreno, de forma a poder ser ordenada a limpeza".

Com as garagens voltadas para a rua, entre a vizinhança, os cuidados são redobrados. No condomínio, há um segurança a fazer vigilância 24 horas por dia. "Estamos sempre de pé atrás. Saímos da garagem e temos de ficar a ver se não vem ninguém que aproveite para entrar", conta Olga Teixeira, moradora no mesmo prédio.

Rotinas alteradas

Com o consumo e tráfico de droga a céu aberto espalhados por várias zonas da cidade, Olga Teixeira deixou de andar a pé. "Estamos pertíssimo da zona do Fluvial e não posso ir a pé de minha casa porque é um ambiente tenebroso e assustador. Mesmo de carro, paro no semáforo com as portas fechadas", diz, revelando que o marido, adepto de desporto, também alterou rotinas.

"O meu marido passava a correr e ouvia "Holanda, Holanda, Holanda". Descobrimos que era o anúncio de que havia droga da Holanda", relata. Acreditando que a falta de limpeza da parcela " propicia" a situação, Olga Teixeira contactou a PSP. "Dizem que se não sou a dona do terreno, não posso reclamar", lamenta.

Questionado pelo JN, o Ministério da Administração Interna remeteu esclarecimentos para o Comando Territorial da PSP do Porto que garantiu que a "referida área tem merecido a atenção por parte da PSP".

Pandemia adia reunião para a criação de "salas de chuto"

A pandemia da Covid-19 atrasou a criação da primeira sala de consumo assistido no Porto. Após meses de impasse nas negociações entre Câmara do Porto e Governo, que a autarquia pretendia que custeasse a criação de um posto móvel em troca de todo o apoio logístico por parte do município, Rui Moreira reuniu com a ministra Marta Temido, ficando os últimos pormenores a acertar num encontro entre o autarca e o secretário de Estado da Saúde. Fonte da autarquia confirmou ao JN que, com o atual plano de prevenção e combate ao Covid-19, a reunião foi adiada, não se sabendo quando será criada a "sala de chuto".

Assaltos

De acordo com os moradores da Rua de S. João, entre a vizinhança, há relatos de jantes de carros roubadas. O Comando Territorial da PSP do Porto apelou "aos cidadãos para a necessidade de informarem a PSP sempre que tenham conhecimento da prática de um crime, de modo a permitir a resposta adequada".

Videovigilância

Em setembro, numa entrevista ao JN, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, classificou como "intolerável" a forma como o tráfico de droga tomou conta do espaço público e admitiu a instalação de câmaras de videovigilância em alguns bairros.

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