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Circuito da Boavista

Veterano de 79 anos acelera no circuito

Veterano de 79 anos acelera no circuito

Stirling Moss é o decano do desporto automóvel. Ou como um cavaleiro do asfalto revive a vertiginosa velocidade que fez dele um dos mais carismáticos pilotos da era de ouro da F1.

Ele é o decano do desporto automóvel e do Grande Prémio Histórico do Porto. Prestes a completar 80 anos, é vê-lo a acelerar pela Circunvalação abaixo, a cento e tal à hora... Stirling Moss é mesmo assim, uma vida de correrias, uma alma estonteante, na mesma vertigem que o consagrou como um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1. No Circuito da Boavista, este fleumático londrino nutre a nostalgia pelos "good old times", como aquela gloriosa jornada de Maio de 1958, quando ganhou o Grande Prémio do Porto de F1, ao volante de um Vanwall VW10, um estrepitoso bólide da época.

Stirling Moss, Sir Moss, assim designado "cavaleiro do império britânico", desde 2000, não precisa de pretextos para vir ao Porto, cidade que se lhe encrustou na alma e que, recentemente, o homenageou, pelo cinquentenário daquela célebre vitória. Volta e meia, o inglês de 79 anos - completa 80 a 17 de Setembro -, regressa à Invicta. Como voltou ontem, para fazer o mais gosta: voar ao volante, nos treinos livres. Hoje e amanhã, pela manhã, mede-se com os concorrentes, muitos com idade para serem netos dele.

"O que me faz correr? A minha jovem mulher e a enorme paixão pelos carros", afirma este veterano cavaleiro do asfalto. No Circuito da Boavista, Sir Moss não dirigirá um F1. Correrá ao volante de um dos seus carros predilectos, um Osca 1100, inscrito na corrida de Turismo e Grande Turismo.

No monolugar de 1960, Moss sente-se parte integrante da máquina. "Não sei se sou uma extensão corporal do carro ou se o carro é uma extensão mecânica do meu corpo. O que sei é que os dois nos sentimos como uma peça única. E é esta paixão que me há-de fazer correr, enquanto puder. Os carros e as corridas estão no meu sangue", afirma o inglês.

Na vertigem da pista, sir Moss lamenta os reflexos "perdidos com o tempo", mas nem assim perdeu "a enorme satisfação" que sente ao volante do Osca 1100. E medo é coisa que não faz parte do dicionário do veterano piloto. "Medo? Não! Nunca tive medo! O perigo foi sempre a minha profissão. E foi essa sensação do perigo que me levou à F1. Quando se é jovem, o perigo é uma atracção. Depois, toma-se-lhe o gosto e transforma-se numa forma de vida, numa paixão que perdura para sempre, porque os carros e a velocidade são uma paixão, que me corre no sangue", diz Sir Moss.

Deste afecto ardente, também se desilude, com a observação da suposta falência desportiva da actual F1. Para quem, na chamada era de ouro da F1, travou tantas e tão célebres batalhas com os ases do volante do anos 1950 e 1960 - de Mike Hawton a Jack Brabham, de Bruce MacLaren ou Jim Clark ao grande Juan Manuel Fangio -, a "deriva tecnológica", segundo Moss, retirou encanto ao grande circo. "Hoje em dia, também há grandes pilotos, não digo que não, mas a máquina é bem mais importante do que a destreza dos pilotos. No meu tempo, não se via o que se vê agora, numerosos carros a circular na mesma volta e no mesmo segundo, o que significa que a mecânica se impõe", observa o nostálgico Moss.

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"Nos anos 1950, um piloto genial como Juan Manuel Fangio valia 25% no binómio carro/piloto. Hoje em dia, não valeria mais de dois por cento....", afirma Stirling Moss, que nunca foi campeão do Mundo.

Moss foi quatro vezes consecutivas vice-campeão mundial, entre 1955 e 1958, na sombra de outros dois grandes pilotos contemporâneos, como o argentino Juan Manuel Fangio ou o compatriota Mike Hawthorn.

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