Porto

Viver no centro para estar perto de tudo

Viver no centro para estar perto de tudo

Alexandre Filipe Toreiro, de 28 anos, e Jorge Correia, de 38, têm pelo menos duas coisas em comum. Ambos escolheram a Baixa do Porto para a sua primeira casa na cidade e moram no mesmo prédio da Rua das Flores, um edifício da antiga Papelaria Reis que foi o primeiro a ser reabilitado pela Porto Vivo.

As vantagens de viver no centro enumeradas pelos dois novos residentes são muitas, desde o simbolismo da Zona Histórica, à possibilidade de irem a pé para o trabalho e de fazerem as compras no comércio tradicional. Mas estacionar é uma dor de cabeça e já lhes valeu o carro rebocado. A falta de elevador também leva a pensar nas dificuldades do futuro.

Naquele prédio, um dos 15 concluídos pela Sociedade de Reabilitação Urbana no eixo Mouzinho/Flores, Jorge Correia mora desde Dezembro de 2006. São duas entradas, três apartamentos em cada uma. Este jovem economista estreou um T2 do segundo andar quando casou. Ao JN, contou que viu o anúncio do sorteio de direito de aquisição no jornal.

"Foi por acaso". Já andávamos à procura de casa mas não na Baixa, por ser "muito difícil". Na ocasião, houve quem o alertasse de que não seria boa escolha dada "a ideia da criminalidade e das ruas desertas à noite". "Ainda há um certo estigma", diz o economista.

"Sinto-me seguro aqui", garante, contando que, há dias, foi jantar à Casa da Música e optou por regressar a pé. "Gosto imenso de andar a pé pela Baixa", explicou. Às vezes faz o mesmo até ao trabalho, na Rua do Heroísmo. A mulher, também economista, trabalha no Campo 24 de Agosto e vivia em Costa Cabral. Jorge estava em Ermesinde porque oferecia a melhor a relação preço/qualidade. Mas nasceu no Porto.

Questionado sobre a maior vantagem de ali morar, respondeu sem hesitar: "é ter tudo perto, o comércio, é viver na Baixa", disse. Além disso, tem o metro a poucos passos. "Já me rebocaram o carro uma vez", recorda, porém, por ser complicado estacionar quando regressa a casa. E "durante o dia, é impossível". Jorge podia estacionar no parque do Infante, onde os residentes pagam menos, mas garante que "não justifica".

A principal desvantagem do prédio "é não ter elevador". "Não serve para uma pessoa de idade", exemplifica. O "pé-direito" do segundo andar é "mais alto" do que o habitual, e os degraus são mais Para carrinhos de bebé, prevê, também será complicado. Já transportar as compras não será problema porque "dá para ir à fruta e ao pão todos os dias". Leite e água também não são necessários em grande quantidade.

Jorge comprou o T2 por 145 mil euros. Alexandre paga uma renda de 400 euros pelo seu. Morador no primeiro andar, explica que o senhorio, arquitecto da Porto Vivo, foi sensível à sua história de vida e baixou o preço. Agora, mora na Baixa, perto do café Guarany, onde é empregado de mesa.

Alexandre, filho de pais portugueses que nasceu em Paris, regressou sozinho e foi morar, primeiro, para Leça da Palmeira. Desde Novembro que está na Rua das Flores. "Cada vez gosto mais do Porto, no início não gostava", confessa. "Gosto das ruas, dos prédios antigos e dos azulejos", explicou. "O que faltam são jovens a vir viver para cá. Isso é que faz crescer uma cidade", disse ainda. A animação começa a existir mais na Baixa, admite, mas lamenta que esteja concentrada nos Clérigos.

Barulho às quatro da manhã

O T2, confirma, tem um pé direito alto, gás natural e aquecimento central, entre outras vantagens. O barulho é um dos primeiros inconvenientes. "Os vidros da frente não são duplos", explicou, queixando-se do barulho que "os jovens fazem às quatro da manhã". Da janela vê um ateliê. A vizinha pintora "costuma pintar de noite", sublinha Alexandre.

O estacionamento é "o maior problema". No dia em que ia apanhar o avião para umas férias em Espanha, ficou sem automóvel, recorda, porque foi rebocado. "O carro, agora, está em Matosinhos", explica, notando que o usava para ir visitar os pais àquele concelho. A avó ainda não visitou o seu apartamento. "Gostava mas não pode subir escadas", lamenta. Este mês, chega a namorada espanhola para viverem juntos. Ela "apaixonou-se pela cidade".