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Ajuda das câmaras da Póvoa e Vila do Conde para combater pandemia "foi recusada"

Ajuda das câmaras da Póvoa e Vila do Conde para combater pandemia "foi recusada"

O presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, diz que a autarquia cedeu técnicos para ajudar nos inquéritos epidemiológicos e camas de retaguarda para ajudar na luta contra a covid-19 mas que estes recursos nunca foram usados.

O autarca afirma que a articulação das autoridades de saúde com as câmaras "não está a funcionar" e garante que muita da força desta "3.ª vaga" está nesta "falta de cooperação".

O concelho está em risco extremamente elevado e é, em termos de incidência da covid-19 por 100 mil habitantes, segundo na lista dos piores da Área Metropolitana do Porto (AMP), só ultrapassado por Vila do Conde.

"Aquilo que está a acontecer, nesta 3.ª vaga, resulta muito de não haver esta cooperação entre todas as entidades. Toda a gente percebe que o grande número de contágios que há na comunidade resultam, em grande parte, das autoridades de saúde não fazerem, em tempo útil, os inquéritos epidemiológicos que se impõe", frisou, na reunião do Executivo, Aires Pereira.

O presidente explica que foi pedida ajuda à Câmara, mas, depois, "foi recusada". "Pediram-nos técnicos que pudessem ajudar nos inquéritos. Identificamos seis pessoas, da área social, com experiência no contacto com famílias. Recusaram", contou. O caso repetiu-se na vizinha Vila do Conde.

Questionado por José Milhazes, do PS, sobre a não utilização das camas de retaguarda, disparou: "Temos 60 em Rates. Nunca foram usadas!". Em Vila do Conde, chegou a haver 400. A Câmara confirma: "Também nunca foram usadas".
todosjuntos na solução

"Enquanto não nos convencermos que, para combater uma pandemia global temos todos que fazer parte da solução, dificilmente conseguiremos ter sucesso", sublinhou. Aires Pereira diz que não percebe "por que é que a saúde continua a ter tanta reserva na partilha de informação" e considera que os técnicos da autarquia podiam estar, nesta fase, a ajudar nos inquéritos epidemiológicos, que "a saúde não está a conseguir fazer a tempo" de travar as cadeias de contágio.

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Em novembro, à pandemia somou-se o surto de legionela, as autoridades de saúde pediram ajuda às câmaras. Faltava gente para fazer inquéritos epidemiológicos. Póvoa e Vila do Conde disseram "presente". Até hoje, nada.

Agora, Elisa Ferraz apela à autoridade de saúde e ao Ministério Público para que sejam divulgadas as causas do surto, que infetou 88 pessoas e matou 15. "A responsabilidade tem de ser apurada e "não pode morrer solteira", remata a autarca de Vila do Conde.

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