Praça de Touros

Autarcas da Póvoa de Varzim recebem envelopes com balas e ameaças de morte

César Castro

Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira|

 foto Artur Machado / Global Imagens

Praça de Touros da Póvoa de Varzim começou a ser demolida na segunda-feira|

 foto Ana Trocado Marques/JN

Praça de Touros da Póvoa de Varzim começou a ser demolida na segunda-feira|

 foto Ana Trocado Marques/JN

Praça de Touros da Póvoa de Varzim começou a ser demolida na segunda-feira|

 foto Ana Trocado Marques/JN

O presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, e o seu vice-presidente, Luís Diamantino, receberam esta terça-feira um envelope com duas balas no interior.

O subscrito foi colocado à entrada do edifício-sede da autarquia e enviado também para a clínica do presidente da Assembleia Municipal, denunciou a autarquia em comunicado, destacando o timing da receção: 24 horas após o início da demolição da desativada Praça de Touros da cidade.

"Os conteúdos eram iguais, quer no objeto, quer na dedicatória: uma bala para cada um, acompanhada destes dizeres: "Não é uma ameaça, muito menos um aviso, é uma previsão. Ou uma destas na testa. A vossa escolha é fácil. Não vamos gastar mais munições com envelopes".

Segundo a autarquia, o caso já foi participado às autoridades de investigação criminal, que também já têm conhecimento das ameaças que proliferam nas redes sociais.

"Não nos antecipando às conclusões a que as perícias laboratoriais conduzirão, adiantamos o que aos poveiros mais atentos parece óbvio: que esta tresloucada ameaça, absolutamente imprópria em meios civilizados e democráticos, não é mais que a tentativa desesperada de uma minoria de impedir a concretização de uma deliberação legitimada pelo voto (explicitamente assumida nas candidaturas autárquicas vencedoras em 2017 e 2021) e sancionada pela instância judicial junto da qual a minoria contestatária interpôs providência cautelar", referiu o município na nota emitida, numa alusão à providência cautelar interposta por uma associação local que suspendeu a demolição e a que o tribunal não deu agora provimento.

Na missiva desta terça-feira, a Câmara garante ser "indiferente às ameaças", diz continuar empenhada "em honrar os compromissos que submeteram a sufrágio eleitoral" e que "nada os demoverá do propósito de substituir um espaço anacrónico e de esporádica utilização por um palco de permanente promoção da arte e da cultura, reforçando este vetor estratégico de desenvolvimento da cidade."

A obra, com um custo previsto de cerca 9 milhões de euros, foi anunciada em 2019, mas no ano seguinte, já depois do lançamento do concurso público para a empreitada, o processo de demolição foi travado pela Justiça, na sequência de uma ação movida pela Patripove - Associação de Defesa e Consolidação do Património Poveiro, que considerava que o equipamento devia ser "preservado e não demolido".

A Câmara da Póvoa de Varzim quer agora ser ressarcida pelos prejuízos da paragem de quase dois anos na obra da futura Póvoa Arena. Por isso, a autarquia vai levar a associação local a tribunal.

"Iremos recorrer a todas as instâncias para sermos ressarcidos pelos prejuízos causados por esta irresponsabilidade. É um processo que tem que ser avaliado, em função dos dias que a obra esteve parada, do aumento de custo que, entretanto, tivemos. Tudo isso será contabilizado e iremos exigir esse dinheiro que perdemos", afirmou o presidente da Câmara, Aires Pereira.

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