Póvoa de Varzim

Professor que publicou vídeos obscenos recorre de suspensão

Ana Trocado Marques

Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim

Uma "decisão arbitrária", "movida por falsos moralistas e ignorantes", "sem qualquer fundamento legal", que está a prejudicar e muito um professor "honesto e competente". É assim que o docente que publica vídeos obscenos no YouTube vê a sua suspensão por 90 dias. Esta sexta-feira, enviou um recurso hierárquico ao ministro da Educação, ainda que saiba que a medida, preventiva, não é passível de recurso.

"É uma suspensão arbitrária e construída por algumas pessoas e só pode ter sido decidida por interesses ilegítimos e com base em alegações sem fundamentos legais e sem se basear em factos verdadeiros e movida por falsos moralistas e ignorantes que não respeitam a igualdade e a liberdade de expressão, de diversão e de ensino das outras pessoas", começa por dizer, na missiva, o professor de Economia e Direito do 12.º ano da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim.

Reconhece que disse aos alunos que vissem no seu canal do YouTube, mas apenas para verem "vídeos sobre como se protegerem contra a doença covid".

"De qualquer modo estas pessoas não são e não devem ser donas da moralidade das outras pessoas e nem da moralidade pública e da autoridade do Estado", acrescenta ainda, considerando que a autoridade do Estado foi "manipulada" por pais, que "atiram pedras e escondem a mão".

"Quanto a ter sugerido aos alunos que visualizassem os meus vídeos [onde aparece nu, em cuecas e a dizer frases de cariz sexual] nada de errado e de ilegal existe nesta sugestão. Só vê e ouve os vídeos quem quer. Todos os vídeos são legais e respeitam a dignidade de todas as pessoas e as regras rígidas do YouTube e são para pessoas com mais de 18 anos", frisa ainda.

Considera que, antes de qualquer sanção, devia ter havido um inquérito para apurar a veracidade das denúncias e diz ainda que toda a "orquestração" já o "prejudicou e muito na vida interna, na autoestima e na vida externa, profissional e pessoal".

Quanto à máscara, alega ainda que a usa sempre, mas, por ter dificuldades de visão ao perto e usar óculos, por vezes, é "obrigado a fazer descer a máscara um pouco" para evitar que fique com muita humidade e lhe dificulte a respiração, mas "por curtos espaços de tempo".

"Com que direito podem vir dizer a alguém que uma pessoa precisa de tratamento médico e que age de modo errado no exercício das suas funções, só porque é uma pessoa diferente, no modo de ser e de fazer as coisas?", remata ainda, considerando que foi misturada a sua "vida pessoal, teatral, musical e cénica com a vida profissional" e que não foram respeitadas as suas "escolhas, gostos e opções pessoais" e que não fez, enquanto professor, "nada de ilegal e incorreto".

Ministério diz que não há recurso

Questionado pelo JN, o Ministério da Educação diz que a decisão, sendo preventiva, não é passível de recurso. Além do mais, o professor, conforme o JN noticiou, tinha já sido alvo de outro processo disciplinar, movido pela vizinha Escola Secundária Rocha Peixoto, no final do mês de julho último.

O docente disse ao JN saber que não pode recorrer, mas garante que quer "repor toda a verdade dos factos" e dá-la a conhecer diretamente à tutela.