Covid-19

Até os agricultores entraram na luta para travar a pandemia

Até os agricultores entraram na luta para travar a pandemia

A notícia da infeção de Luis Sepúlveda haveria de fazer soar os alarmes na Póvoa de Varzim. Cem escritores e mais de 10 mil pessoas passaram pelo Correntes d"Escritas.

Muitas estiveram lado a lado com o escritor chileno. Começaram as quarentenas. A verdade é que, volvido mais de um mês, a Póvoa é, com 30 casos, o terceiro município com menos casos na Área Metropolitana do Porto. Houve medidas duras: o fecho dos cemitérios e da marginal para evitar as "enchentes" junto ao mar, polícia nas ruas, desinfeção diária de ruas e praças.

29 de fevereiro - Portugal ainda não tinha casos, mas Luis Sepúlveda dava entrada num hospital das Astúrias infetado com o novo coronavírus. O escritor chileno e a mulher, Carmen Yáñez, tinham estado na Póvoa de Varzim uma semana antes a participar no Correntes d"Escritas. Dezenas de escritores, funcionários e jornalistas e milhares de leitores estiveram com o chileno, que permaneceu seis dias na cidade.

Entre os escritores, muitos cumpriram quarentena voluntária, 20 funcionários da Câmara - incluindo o vice-presidente Luís Diamantino e a vereadora Sílvia Costa - ficaram em casa, centenas estiveram uma semana em sobressalto. A cadeia havia de infetar apenas um, que foi também, a 14 de março, um dos primeiros curados em Portugal.

Equipamentos fechados

A 11 de março, ainda antes do fecho das escolas, a Autarquia fechava teatros, piscinas, pavilhões e museus e cancelava todos os eventos em espaços fechados. A 18, a Póvoa foi uma das primeiras cidades a avançar com a desinfeção diária de ruas e praças. O esforço é repartido entre as equipas apeadas da Câmara e o camião da desinfeção dos Bombeiros Voluntários da Póvoa. Nas freguesias, há ainda o apoio de vários agricultores, que adaptaram os seus tratores a uma nova missão.

No quartel, os bombeiros Alírio Oliveira e Tiago Ribeiro têm, agora, um dia a dia diferente. "De segunda a sábado, das 8 às 18 horas, desinfetamos todas as ruas onde o camião consegue passar", explica Alírio.

Como membro da Equipa de Intervenção Permanente, especialmente dedicado a incêndios, acidentes e outras emergências, o adjunto do Comando nunca se imaginou em tal, mas, todos os dias, sai do quartel com um sorriso na cara. Sabe que a missão é importante e pode salvar vidas. "É para o bem de todos. Sou bombeiro para servir e isto também é servir", acrescenta Tiago.

Na manhã de 22 de março, as imagens da marginal cheia de gente em pleno estado de emergência envergonharam a Póvoa. Ao início da tarde, a marginal foi cortada ao trânsito e todos os carros em direção à cidade foram travados pela PSP e os ocupantes convidados a regressar a casa. Agora, todas as semanas, há PSP, Polícia Municipal ou Proteção Civil em todas as esquinas e os que lá andam são "meia dúzia" a passear o cão ou a fazer exercício.

Atenção aos lares

Já com o mês a caminho do fim, uma funcionária do lar de Cavalões (Famalicão) e que prestava também serviço no Centro Social de Aver-o-Mar testou positivo. Instituição e Autarquia uniram esforços e pagaram os testes. Por enquanto, tudo negativo. Mas dos 12 primeiros casos de Covid-19 no concelho, seis eram utentes do lar famalicense.

Pedidos de ajuda

O Gabinete de Coesão Social da Câmara está "a postos". A Autarquia explica que já atendeu "dezenas de pessoas" e, só numa semana, serviu 350 refeições e entregou 26 cabazes alimentares, produtos farmacêuticos e apoios ao pagamento de rendas

Contacto telefónico

A Câmara mantém contacto telefónico diário com os 129 idosos que frequentavam os centros ocupacionais da Lapa e de Aver-o-Mar

Água não baixa

Aires Pereira recusa baixar a água. O presidente da Câmara diz que isso "iria pôr em causa o equilíbrio financeiro do município e limitar, mais tarde, a capacidade para apoiar quem realmente precisa".

Hotel dedicado

Na avenida Mouzinho de Albuquerque, o Hotel Avenida está de serviço exclusivo aos profissionais de saúde.

Encerramentos

O mercado municipal só abre às quartas, sextas e sábados e tem entradas controladas. Fecharam os cemitérios, os passadiços na zona norte do concelho e, aos fins de semana, é proibida a circulação automóvel na marginal.