Póvoa de Varzim

Barcos da pesca artesanal ameaçam parar a partir de terça-feira

Barcos da pesca artesanal ameaçam parar a partir de terça-feira

Pescada a 30 cêntimos, raia a 9, cavala a 5. As queixas repetem-se de norte a sul do país. Os barcos da pesca artesanal garantem que não estão "a ganhar para as despesas". Agora, "para piorar tudo", acabou a proibição da pesca ao fim de semana.

Garantem que o mercado "vai inundar" e os preços "baixar ainda mais". Caso o ministro do Mar não ouça as reivindicações, ameaçam encostar ao cais já a partir de terça-feira

"Vendi raia a 9 cêntimos! Quis parar o leilão e não me deixaram! A pescada foi a 30 cêntimos, a cavala a 5... Isto não dá", conta, revoltada, Maria José Gomes.

O pai, Luís Cruz, tem o "Fugitivo" e o "Candeias". Filhos, genro, filha, mulher, noras, primos, todos a trabalhar na pequena empresa familiar. Ao todo, 24 pessoas. Este mês, explica, cada tripulante levou para casa "300 ou 400 euros" e "houve semanas que não ganharam nenhum".

Com o fim do mês, a situação piorou: a paragem obrigatória ao fim de semana, que vigorava desde a Páscoa para toda a pesca como forma de evitar excesso de peixe no mercado, terminou esta sexta-feira. Agora, diz, "vai ser ainda pior". Os restaurantes continuam fechados, o peixe sobra nas lotas e o resultado inevitável é a queda de preços.

Indonésios para pagar

"Deviam deixar estar a paragem ao fim de semana mais um tempo a ver se levantava um bocadinho mais os preços", diz Carlos Craveiro, armador e mestre do "Ajudado por Deus", que, habitualmente, pesca no porto de Aveiro.

José Lourenço, do "Novo José e Maria", tem 13 tripulantes. Sete são indonésios. Vieram para Portugal com garantia de salários fixos, casa e comida pagas pelo armador. Custam, cada um, explica, cerca de mil euros por mês. Era "justo", não fosse a pandemia do novo coronavírus ter mudado tudo. "E agora quem lhes vai pagar? Não estou a ganhar para isso!", frisa, revoltado.

Os pescadores queixam-se que estão "na linha da frente", "a arriscar a vida todos os dias" - já que, à bordo dos barcos, manter as distâncias de segurança "é impossível" - e são "ignorados pelo governo".

Esta sexta-feira, em reunião no porto de pesca da Póvoa de Varzim, decidiram parar a partir de terça-feira, caso não haja uma resposta do Ministério do Mar. Querem o regresso da paragem obrigatória ao fim de semana e um mês de apoio à paragem, pago a 100% para todos os barcos e com o dinheiro a chegar às embarcações "já".

Outras Notícias