Póvoa de Varzim

Família de pescador que morreu no mar do Funchal quer apurar responsabilidades

Família de pescador que morreu no mar do Funchal quer apurar responsabilidades

A família de um pescador que morreu a 11 de julho, a bordo da embarcação 'Marques Novo', a cerca de 100 milhas do Funchal, promete ir "até às últimas consequências" para apurar as causas da morte, para já, desconhecidas.

Nuno Vale, filho da vítima, disse à Lusa que vai acionar "todos os meios legais" para conseguir apurar o que aconteceu ao pai, porque a tripulação aponta falhas aos meios de emergência - INEM e Centro de Busca e Salvamento Marítimo-, mas a Marinha nega e diz que "tudo foi feito" e que o "mestre, responsável pela sua tripulação, é que não acatou instruções".

João Duda seguia no "Marques Novo", um barco de Vila do Conde que pescava espadarte, quando, segundo informações da tripulação, a "27 de junho, terá sentido uma ligeira indisposição", relatou o filho da vítima mortal.

Pedido socorro, o INEM "falou com o pescador" e com o mestre, Belmiro Marques, como este último confirmou à Lusa e, a partir daí, "houve contactos diários para saber o estado de saúde de João Duda que já se sentia melhor".

No dia 10 de junho, o barco atracou em Tenerife, para abastecer, e o mestre terá perguntado a João Duda "se queria ir ao médico, mas como ele disse que já estava melhor", seguiram viagem para Portugal, explicou ainda Belmiro Marques.

Um dia depois, às "18:30", a cerca de "100 milhas do Funchal, o pescador de 58 anos volta a sentir-se mal.

João Duda, condutor de máquinas, "estava a trabalhar quando chamou, porque não se sentia bem", tendo "subido para a camarata para descansar", relatou Belmiro Marques.

Foi pedida ajuda, mas como estiveram cerca de "45 minutos sem resposta", alertaram o armador do barco e a Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar" (APMSHM) para que diligenciassem ajuda em terra, elucidou o mestre.

Pouco depois, ouviram "um estrondo". João Duda "tentou ir à casa de banho, mas caiu das escadas, de uma altura de cerca de dois metros, porque lhe escorregou o chinelo e bateu com a cabeça", explicou ainda Belmiro Marques.

"Tinha sangue na cabeça" e falou uns "15 a 20 minutos" e "morreu", contou Bruno Marques, um outro colega de viagem.

Belmiro Marques acusa a Marinha de "não ter respondido aos pedidos de socorro.

"A primeira vez que o pescador se sentiu mal, a 27 de junho, também ligámos várias vezes e ninguém atendia" e, depois, disseram que "não era caso para evacuação e que iriam acompanhar o doente até chegarmos a terra", acrescentou.

No dia da morte, quando conseguiram estabelecer contacto com o INEM, "o homem já estava caído no chão, morto", disse Belmiro Marques, acrescentando que o barco chegou ao Funchal na manhã seguinte, com as polícias Marítima e Judiciária a aguardarem a tripulação.

Nuno Vale exige "saber em que circunstâncias" tudo aconteceu, se "houve negligência", se "o socorro falhou" e "porque é que "o pai não foi ao médico", em Tenerife.

A Lusa contactou o porta-voz do Gabinete do Chefe de Estado Maior da Armada que garantiu que "as entidades envolvidas responderam prontamente".

Santos Fernandes avançou que o primeiro pedido de socorro foi a "28 de junho" e que se equacionou a "evacuação do indivíduo", mas, e após contactos telefónicos, o mestre "deu a informação que estaria estável".

O INEM "instruiu o mestre para que a indivíduo ficasse em repouso e que procurasse apoio médico após atracação", tendo havido "contactos diários com o barco para saber do estado de saúde" de João Duda.

A "11 de julho", o mestre informou que "tinha atracado," mas retomou viagem, porque João Duda "não quis ir ao hospital".

Santos Fernandes afirma que "não houve diligências, por parte do mestre, para que o pescador fosse tratado".

Em relação ao dia fatídico, o comandante referiu que o pedido de ajuda só foi recebido "às 20:30, porque as comunicações estavam más", só que "havia outros meios de alerta que não foram acionados", acrescentou.

"Às 20.56 horas foi possível contactar a embarcação e receber o 'feedback' que o indivíduo já estava cadáver", relatou Santos Fernandes, que lamenta o desfecho da história, sustentando que tudo aconteceu porque "não foram cumpridas as instruções do INEM".

O caso está a ser investigado pelas autoridades e o corpo foi autopsiado no Instituto de Medicina Legal do Funchal.