Óbito

Militar morta no mar da Póvoa foi a enterrar na Amadora

Militar morta no mar da Póvoa foi a enterrar na Amadora

O funeral da militar do Exército que morreu no passado dia 25, arrastada pelas ondas na praia da Lagoa, na Póvoa de Varzim, realizou-se na tarde deste sábado, no cemitério da Amadora, de onde a jovem era natural. Aquele ramo das Forças Armadas reitera que o encargo com as exéquias fúnebres "é um assunto que está a ser tratado com discrição, junto da família" e que "o Exército nunca se exime das suas responsabilidades".

Na madrugada do dia 25, a primeiro-cabo Ani Muscuta Fonseca Dabó, de 20 anos, estava entre o grupo de oito militares do Exército, em formação na Escola de Serviços da Póvoa de Varzim, que se deslocou a um bar na praia da Lagoa, para celebrar o final do curso. Os jovens saíram do bar já depois das 4 horas e dirigiram-se até à linha de água "para molhar os pés", acabando por ser apanhados pela ondulação, que estava particularmente forte. Segundo o Exército, "a primeiro-cabo Ani Dabó, sem hesitar, num ato de altruísmo, procurou ajudar camaradas seus que se encontravam em dificuldades, ato que, lamentavelmente, resultou no trágico falecimento da militar".

Face à polémica gerada em torno dos encargos com as cerimónias fúnebres da militar, que morreu no decurso de um festejo alheio à instituição militar, aquele ramo das Forças Armadas reitera, ao JN, que "cumpre sempre com todas as obrigações legais" e que "as questões relacionadas com a trasladação do corpo da militar e com o funeral são um assunto ao qual o Exército nunca se eximiu e que está a ser tratado com a família, com a necessária discrição". O ramo não esclareceu, contudo, se suportará ou não os encargos com as exéquias da militar, cuja morte ocorreu fora de serviço, num contexto externo às funções militares.

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Contactado pelo JN, o presidente da Associação de Praças, cabo-mor Paulo Amaral, considera que, apesar da consternação em torno do sucedido, "não deverá ser acometida qualquer responsabilidade ao Exército, uma vez que se tratou de uma situação extra funções militares, fora do âmbito do Exército, e que extravasou completamente o Estado-Maior".

Em comunicado emitido na semana passada, o Exército adiantava que "através de informação preliminar recolhida, no âmbito da inquirição de testemunhas militares, em sede do Processo de Averiguações em curso no Exército, o trágico acidente ocorreu, em 25 de novembro, durante o período de folga, fora do contexto de serviço, no âmbito de convívio social em que alguns militares, se deslocaram para frequentar um estabelecimento de diversão noturna e decidiram ir até junto da linha de água da praia da Lagoa, na Póvoa de Varzim, acabando arrastados pelo mar, particularmente agitado naquela madrugada".

"O Exército reconhece os mais de três anos de serviço militar em regime de contrato prestados pela primeiro-cabo Ani Dabó ao serviço das Forças Armadas e de Portugal",referia o comunicado, realçando que "Ani Dabó era respeitada e admirada pelos seus camaradas por ter um caráter vibrante, honesto e entusiasta de servir ao próximo".

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