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Pescadores correm "risco de morte" no porto da Póvoa de Varzim

Pescadores correm "risco de morte" no porto da Póvoa de Varzim

A Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar alertou, esta terça-feira, que os pescadores que utilizam o porto da Póvoa de Varzim "correm risco de morte" devido ao problema do assoreamento na barra.

No interior do porto de pesca, há novas "praias", onde devia haver água com três metros de profundidade. À entrada da barra, o bailado dos barcos não deixa dúvidas das dificuldades. Os pescadores dizem que "o perigo é diário e iminente". Fartos de promessas, estudos, grupos de trabalhos e dragagens de "faz-de-conta", exigem "mais" e "já".

"O porto está uma desgraça. É uma vergonha! Os pescadores correm risco de morte", afirmou, ontem, o presidente da Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar, José Festas, apontando o "São Donato", em dificuldades, à entrada da barra. De domingo para segunda-feira, explica, "só não aconteceu o acidente, por pouco". A "Pró-Maior" vem alertando o governo, mas, do lado da Direção-geral das Pescas, só ouve: "Não há dinheiro". José Festas diz que só quer "evitar uma tragédia".

"Em 2015, prometeram dragagens todos os anos. Meteram na gaveta. Passado dois anos, criou-se um grupo nacional de trabalho, fizemos reuniões com todas as entidades, relatórios e para quê? Só andaram a gastar dinheiro ao governo!", continua a contar, indignado.
No ano passado, Ana Paula Vitorino veio à Póvoa anunciar um plano trianual de dragagens. Mais uma vez, "passa as eleições, abafa tudo!", frisa. Pelo meio, ficaram duas dragagens de "faz-de-conta", pequenas e feitas no inverno, "para deitar dinheiro fora".

Um banco de areia junto ao Cais do Gasóleo, mais de metade da marina em seco, barcos parados no mar à espera de uma "aberta" para entrar, pescadores que, "em três meses, trabalharam três ou quatro dias" por falta de condições para entrar e sair do porto. Um cenário "vergonhoso". José Festas garante que, entre a barra e o interior do porto, é preciso retirar "530 a 550 mil m3" de areia.

O assoreamento na Póvoa é "muito preocupante", mas, diz, há outrosportos em risco. É o caso de Vila do Conde, Esposende, Vila Praia de Âncora, Caminha e Figueira da Foz.

"A barra está muito complicada. Esta terça-feira, por exemplo, não tenho condições de segurança para sair e, como a barra não está fechada, não tenho direito a Fundo de Compensação Salarial. Já perdi a conta aos dias em terra por causa disto", lamenta Fernando Silva, de 45 anos e mestre do "Fão".

"Se estiverem vagas de dois metros, já temos que ir para [o porto de] Matosinhos. Acumulam-se lá os barcos, há peixe a mais e os preços vêm por aí abaixo. E é porque o meu barco é grande, porque os pequenos, às vezes, estão semanas sem ir ao mar", explica Abraão Marques, 57 anos, mestre do "José Rui".

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