Contestação

Pescadores param às 0 horas da próxima quarta-feira

Pescadores param às 0 horas da próxima quarta-feira

"Fiscalização sim, perseguição não!"."Não nos tratem como criminosos!". Os pescadores de Viana à Figueira da Foz vão parar os barcos a partir da meia-noite de terça-feira. Queixam-se de "perseguição" por parte da Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR e dizem que estão a ser multados por "lacunas" do governo. Esta manhã, reunidos no porto da Póvoa de Varzim, decidiram dizer "Basta!".

"Pedem-nos planos de férias e mapas de horários?! As nossas férias e os nossos horários é o S. Pedro que decide", atira Orlando Daniel. O barco, com o nome do mestre, pesca em Matosinhos. Numa semana, foi fiscalizado duas vezes. Tem três indonésios a bordo. Têm contrato de trabalho, visto laboral, mas estão inscritos como "não marítimos". Uma situação que o Ministério do Mar nunca resolveu. Resultado? Não podem trabalhar. Num barco com sete tripulantes, três dos quais indonésios, só trabalham os quatro portugueses. Fiscalização. Multa.

"Tem sido isto todos os dias", explica o presidente da Apropesca, Carlos Cruz. "Há barcos a ser fiscalizados duas e três vezes na mesma semana para ver os mesmos documentos. "Pegam" por causa dos indonésios, "pegam" pelos horários, "pegam" por que não podem vir de botas e oleado do mar... O trabalho no mar não é igual ao de terra e há coisas que sabem que estão a ser resolvidas com a DGRM (Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos)", continua.

José Dinis, o mestre do "Zé da Marinha" está "revoltado": "Se andasse na droga não era tão fiscalizado!". Já lá vão três em dois dias.

"Petulância, arrogância, abuso de autoridade, falta de respeito por nós, que nunca paramos para fazer chegar comida à mesa dos portugueses. O último disse-me que a alegria dele era ver os barcos todos encostados ao cais!", conta, denunciando ainda as "fiscalizações às três da manhã", à "hora de almoço" e "durante o descanso da tripulação" e a entrada da UCC nos barcos "sem sequer pedir autorização".

A somar a estas queixas, diz Manuel Marques, da AAPN (Associação de Armadores Pesca do Norte), junta-se o Diário de Pesca Eletrónico, que os obriga a "adivinhar", ainda no mar, com uma margem de erro de 10%, quantos quilos de peixe pescaram.

O problema, diz, começou há três semanas, com a chegada de novas equipas à UCC, sob a alçada do comando de Matosinhos. Queixam-se que não têm em conta as particularidades da pesca. "Com a Polícia Marítima não temos problemas!", garante Carlos Cruz.

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Depois de duas horas de reunião, os cerca de 100 armadores, que empregam mais de 1500 pescadores decidiram: "A partir de quarta-feira, pára tudo!". O protesto é para manter até que, no governo, alguém os ouça. O pedido é "muito simples": "Só queremos que nos deixem trabalhar!"

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