Póvoa de Varzim

Prorrogada a suspensão do professor que publica vídeos obscenos

Prorrogada a suspensão do professor que publica vídeos obscenos

O professor de uma escola na Póvoa de Varzim que publica vídeos obscenos no Youtube viu, nesta quarta-feira, prorrogada a sua suspensão "até à conclusão do processo disciplinar ou até ao final do ano letivo".

Porque há perigo de "continuação da atividade ilícita", porque há alunos seus entre as testemunhas e porque, já depois de instaurado o processo, "produziu declarações de teor insultuoso e ultrajante relativamente à pessoa do diretor [da escola]". São estes os fundamentos evocados pela Escola Secundária Eça de Queirós (ESEQ). O diretor-geral dos Estabelecimentos Escolares, João Miguel Gonçalves, dá-lhes razão. Fica suspenso, mas com salário. Manuel Ribeiro volta a recorrer para o ministro da Educação. Diz ser uma medida "claramente excessiva" e "um abuso de poder".

No processo, a ESEQ diz ter recebido queixas de vários pais, descrevendo "factos consubstanciadores da prática de ilícitos de natureza disciplinar graves": o docente tentou mostrar vídeos do seu canal do Youtube na sala de aula e só não conseguiu "por causa das firewalls de internet da escola"; aconselhou os alunos a vê-los em casa; neles aparece "parcial ou totalmente desnudado e em poses inenarravelmente censuráveis e indignas de um educador"; os pais descrevem o seu conteúdo como "obsceno", "nojento", "pornográfico" "reprovável", "indescritível", "repugnante" e "indecoroso".

A juntar a isto, Manuel Ribeiro é ainda acusado de, por várias vezes, retirar a máscara na sala de aula, "demonstrando uma atitude negacionista que não pode manifestar em contexto escolar e como professor".

Manuel Ribeiro, recorde-se, soma três suspensões em quatro anos. Este ano, o professor de Economia e Direito do 12.º ano estava destacado na ESEQ. Depois de três dias de aulas, "bombardeado" por queixas de pais e alunos, o diretor da Escola, Eduardo Lemos, instaurou-lhe, a 22 de setembro, um processo disciplinar. No dia seguinte, o Ministério suspendeu-lhe preventivamente as funções por 90 dias.

Agora, com o prazo a terminar e sem conclusões da investigação da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), o docente quis saber quando retomava as funções, mas a DGEstE prorrogou-lhe a suspensão.

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O docente insiste que este - como os outros dois processos disciplinares instaurados, entre 2018 e 2020, por escolas da Maia e da Póvoa - foram "forjados", "movidos por falsos moralistas e ignorantes", "sem qualquer fundamento legal", uma "associação criminosa de malfeitores", que despeita o seu "direito à liberdade de expressão".

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