Protesto

PSD organizou manifestação contra concessão do estacionamento em Santo Tirso

Ana Correia Costa

Foto Ana Correia Costa/jn

Cerca de 40 pessoas manifestaram-se, este sábado, contra a concessão do estacionamento na cidade de Santo Tirso.

O protesto, que decorreu na Praça do Município, junto a um dos parques que passam a ser pagos, foi organizado pelo PSD de Santo Tirso, que se opõe ao contrato, em vigor desde a passada quinta-feira.

"Não podemos confundir maioria absoluta com poder absoluto", vincou o líder da concelhia "laranja", Ricardo Pereira, considerando que houve, da parte do Executivo municipal, uma "forma intransigente e unilateral de impor [a medida] a todos os munícipes".

"Não nos podemos esquecer que passamos de 15 ruas [com estacionamento pago] para 26. Ou seja, temos, neste momento, mil lugares de estacionamento concessionados", contabilizou o social-democrata, sublinhando que a medida irá "penalizar a população e o comércio" e, por isso, considera que é necessário "perceber quais são as hipóteses de mitigar o problema".

Com loja aberta no centro da cidade, Deolinda Alves participou na manifestação "em nome dos comerciantes de Santo Tirso", e afirmou estar a "ser muito penalizada" com o estacionamento pago. "Sinto-me muito revoltada. Os meus clientes dizem que têm de pagar o estacionamento. Agora, estamos a trabalhar para pagar parcómetros", protestou a comerciante, referindo que a solução passa por "ter parques gratuitos".

"Estamos a falar de políticas erradas, porque tínhamos os parquímetros instalados. É verdade que tínhamos de fazer uma readaptação dos parquímetros, mas isso custava meio milhão de euros. Se custava meio milhão de euros e se, em 15 anos, rende 17 milhões de euros, as contas são fáceis de fazer, e podíamos, por exemplo, construir o parque subterrâneo no largo da feira e resolver de vez o problema de Santo Tirso, coisa que este Executivo não quer", criticou Ricardo Pereira.

Com a concessão do estacionamento à empresa Esse, "há um aumento de preços substancial em relação ao que era praticado: passa de 40 cêntimos para 60 na área da primeira coroa e para 50 cêntimos na área da coroa mais afastada", aponta o presidente do PSD local, afirmando que, no que concerne ao tarifário, há "ainda uma nuvem por cima do contrato em relação aos residentes". Ricardo Pereira acredita, contudo, que "os residentes vão pagar a fatura: vão pagar os cerca de 17 milhões de euros em 15 anos e a Câmara vai encher o bolso em 9 milhões".

Em comunicado emitido na passada quinta-feira, a Autarquia de Santo Tirso esclareceu que, com a concessão, "passa, também, a ser pago o estacionamento inferior da Câmara Municipal e no parque da Rua do Retiro (junto à piscina municipal), onde é aplicada uma taxa de 60 cêntimos/hora". Vinca ainda o Município que "estes valores são inferiores ao da média das tarifas aplicadas na Área Metropolitana do Porto e noutros municípios vizinhos de Santo Tirso".

"O contrato de concessão do estacionamento em Santo Tirso é um processo que transita de 2018, mas que só agora entra em vigor devido à situação pandémica e, também, após a renegociação entre o Município e a empresa Esse. O acordo alcançado resultou numa redução da área concessionada inicialmente prevista", clarifica ainda a Câmara.