Santo Tirso

GNR diz que veterinário municipal "não considerou urgente" retirar animais de abrigo

GNR diz que veterinário municipal "não considerou urgente" retirar animais de abrigo

Debaixo de fogo devido à forte contestação que se gerou em torno da atuação dos militares que no fim de semana estavam de serviço na serra da Agrela, Santo Tirso, onde no sábado arderam dois abrigos ilegais e morreram pelo menos 73 animais, a GNR esclareceu que "o transporte dos [animais] sobreviventes não foi considerado urgente pelo veterinário municipal".

"O veterinário municipal assumiu que não existia perigo para os restantes animais [sobreviventes], e o efetivo da Guarda impediu a violação de propriedade privada e a retirada, pelos cidadãos, sem controlo e registo, dos animais", clarificou a GNR, indicando, assim, que os militares seguiram as indicações da autoridade veterinária concelhia.

O esclarecimento foi publicado ao final da noite de terça-feira, na página oficial de Facebook do Comando Territorial do Porto da GNR, mas acabaria por ser retirado entretanto. Segundo o oficial de Relações Públicas, capitão Rui Ferreira, a publicação foi eliminada por tratar-se de "um comunicado interno para os militares, publicado por lapso das Relações Públicas". Tal não impediu, contudo, que ao início da madrugada de quarta-feira o texto tivesse já sido partilhado por várias pessoas e reunisse inúmeros comentários.

Nesse comunicado, a GNR começou por explicar que, "na tarde de 18 de julho, quando os militares da Guarda chegaram à zona onde está localizado um dos canis ["Cantinho das Quatro Patas"], já o mesmo tinha sido consumido pelo fogo, deixando-o parcialmente destruído e conduzindo à morte de diversos animais".

Foi "de imediato" participado "às entidades competentes que, face à violência das chamas e ao facto de inicialmente os animais estarem presos, vários foram os que sucumbiram ao incêndio, encontrando-se no local vários cadáveres e animais que necessitavam de cuidados, em especial dois deles que, pela observação ocular, apresentavam necessidade de intervenção imediata".

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No entanto, e "por decisão do veterinário municipal, apenas um desses animais foi recolhido, mais tarde nesse dia, tendo o outro sido socorrido no local. Relativamente aos restantes animais, uma vez que não apresentavam sinais de necessidade de intervenção imediata, foram-lhes prestados cuidados básicos no local, tendo o veterinário municipal informado que se deslocaria ao local na manhã do dia seguinte".

A Guarda sublinha que a concentração de populares nas imediações dos abrigos "Cantinho das Quatro Patas" e "Abrigo de Paredes" ocorreu "já durante a noite" e "várias horas depois do fogo ter consumido as instalações", sendo que "as mortes dos animais já tinham ocorrido e o transporte dos sobreviventes não foi considerado urgente pelo veterinário municipal".

"A desinformação dos populares, associada ao cenário existente e à tensão face à proprietária [do "Cantinho das Quatro Patas"], gerou uma onda de indignação relativamente à postura da Guarda que se confundiu com uma (inexistente) omissão de auxílio aos animais que permaneciam no local", explicou a GNR, lembrando que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) está a proceder a um inquérito sobre a atuação dos profissionais, "ainda que não existam, no momento, quaisquer dados que possam indiciar eventual conduta ilegal ou censurável por parte dos militares".

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