Trofa

Ansiosos por estrear a linha

Ansiosos por estrear a linha

Adelino Freitas, que "trabalhou na linha nova", não tem dúvidas de que, com aquele troço e com a estação de comboios que com ele nasceu, "vai ser muito melhor".

Para Manuela Mendes, alterar o traçado do caminho-de-ferro "foi a pior coisa": além de ter de apear-se mais longe do local de trabalho, tem fobia a túneis, e a variante ferroviária da Trofa tem mais de um quilómetro de túnel…

Maria Pais está ansiosa por conhecer o novo trajecto, que pensou nunca vir a utilizar, enquanto Fernanda Faria teme que o desvio da via-férrea afaste a clientela do comércio do centro.

A disparidade de opiniões não surpreende: com 3,5 quilómetros de ferrovia e 4,5 de rede viária, a remodelação da Linha do Minho entre S. Romão (Trofa) e Lousado (Famalicão) cruzou a Trofa, fez buracos nas estradas, empoeirou o ar e obrigou a desvios de trânsito, mas, 65,7 milhões de euros e dois anos e meio depois, o comboio vai, por fim, deixar de dividir o núcleo citadino para passar a contorná-lo e desaguar numa estação junto à igreja nova.

Para assinalar o momento aguardado há anos, a Autarquia promove, hoje à noite, uma última viagem no troço que será suprimido. A partida é às 21 horas, da velha estação da cidade, em direcção a S. Romão do Coronado. Com paragem no apeadeiro Senhora das Dores, que deixará de existir a partir de amanhã, altura em que todas as composições seguirão pela zona nascente da cidade.

"Estou morta por passar pela linha nova", revelava Maria Pais, enquanto o comboio que tomara no Porto, às 16 horas, parava na Trofa, 35 minutos depois e ainda a 10 do destino, Santo Tirso.

O encurtamento do tempo dos percursos e o melhoramento dos horários e da regularidade das composições prometidos, em Fevereiro de 2009, pela então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, aquando da consignação da segunda fase da empreitada, fazem a idosa redobrar os aplausos à obra.

"Quando começaram a falar disto, eu dizia que não era para os nossos dias. Mas, então, ainda é. A não ser que a gente morra muito depressa", sorria, para o marido, Maria Pais, até então desconhecedora de que a estreia do novo troço da ferrovia se fará já amanhã. A mulher, que participa na mostra de artesanato de Santo Tirso, promete: "Acabando a feira, vimos logo provar a linha nova".

Adelino Freitas, orgulhoso por ter contribuído para a concretização da obra, garante que subirá, hoje à noite, a bordo da composição que cumprirá a simbólica derradeira viagem pelo coração da Trofa.

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