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PS pondera queixa sobre "batota" com chamadas para eleger santeiros

PS pondera queixa sobre "batota" com chamadas para eleger santeiros

Depois da polémica com a "batota" que a Câmara da Trofa foi acusada de fazer para eleger os santeiros de S. Mamede do Coronado no concurso "7 Maravilhas de Portugal", gastando 75 mil euros em chamadas telefónicas de valor acrescentado para assegurar votos, o PS alertou, nesta segunda-feira, para a necessidade de "valorizar esta arte", propondo medidas para evitar o desaparecimento do ofício.

Amadeu Dias, presidente da Concelhia do PS da Trofa indicou ainda que foi entregue na Câmara um requerimento, a fim de ser apurado o valor total gasto em chamadas, e que "está a ser estudada, dentro dos locais próprios do partido, uma queixa" contra a Autarquia pela aquisição das chamadas telefónicas para votar no concurso "7 Maravilhas de Portugal".

Porque "não se pode falar dos santeiros e depois não se fazer nada" e porque esta "é uma arte que está em perigo de extinção" - como vincou o presidente da Federação Distrital do Porto do PS, Manuel Pizarro -, a delegação do partido que durante a manhã visitou duas oficinas de artesãos defendeu a criação de um centro interpretativo da arte sacra do Coronado.

Os santeiros Jorge Brás e Augusto Ferreira defendem, entre outras medidas, a criação de cursos de formação na área. "A Câmara e a Junta podiam juntar-se e arranjar um espaço para mostrar isto a quem viesse cá", propõe, ainda, o primeiro.

"É urgente que se tomem medidas para valorizar o trabalho dos artesãos e para garantir o seu futuro. E para isso é preciso tomar medidas concretas hoje: é preciso instalar um centro interpretativo desta arte, dar melhores condições de trabalho aos artesãos e atrair jovens para esta atividade, e esse é um processo delicado e demorado", enumerou o líder da Distrital, que condenou o procedimento adotado pela Câmara da Trofa no âmbito do concurso transmitido pela RTP.

"Os santeiros de S. Mamede do Coronado não precisam de batota para serem considerados uma das maravilhas da cultura popular portuguesa", afirmou Manuel Pizarro. "Lamentamos que a Câmara da Trofa tenha adotado comportamentos que são eticamente inaceitáveis e muito duvidosos do ponto de vista da gestão dos fundos públicos", sublinhou o socialista.

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Os dois santeiros visitados pelo PS optam por manter-se à margem da polémica, mas, questionados pelos jornalistas, referiram que o concurso "foi uma mais valia". Jorge Brás disse que "poderia ter sido feito de outra maneira", e Augusto Ferreira afirmou que "foram usados os meios que estavam à disposição".

"O que os nossos santeiros precisam é de visibilidade positiva. Por exemplo, de um centro interpretativo, que as pessoas possam visitar e ver o trabalho dos santeiros", destacou Amadeu Dias, que também é vereador na Autarquia.

"Vamos tentar fazer alguma coisa para terem a dignidade que merecem", prometeu a deputada Joana Lima, enquanto se despedia de Jorge Brás.

O tema foi aflorado na Assembleia Municipal do passado dia 30 de setembro, durante a qual o presidente da Autarquia afirmou que o resultado do concurso "foi uma grande vitória". "Entramos nisto para ganhar. A Câmara gastou dinheiro com telefonemas? Gastou, sim senhora", admitiu Sérgio Humberto.

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