Valongo

Cavalos de Ermesinde permanecem em situação de arresto

Cavalos de Ermesinde permanecem em situação de arresto

PAN apresenta queixa no Ministério Público e alerta para abate clandestino e risco para a saúde pública. IRA quer resgatar os animais e levá-los para adoção no Alentejo.

Os 83 cavalos mantidos em arresto desde a semana passada, em Ermesinde, por maus tratos e violação das condições sanitárias, vão permanecer na propriedade, na posse de um familiar do dono da exploração, designado fiel depositário dos equídeos. À Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) caberá decidir o futuro dos animais. A retirada progressiva para adoção continua a ser planeada.

O IRA - Intervenção e Resgate Animal opõe-se à eutanásia dos animais, mesmo dos mais debilitados, e prontifica-se a recolhê-los a todos, para lhes dar "uma vida digna", como afirma Tomás Pires, da Direção do movimento de defesa dos animais. A associação propôs a retirada dos animais para adoção no Alentejo.

PUB

O PAN alerta para o abate clandestino de cavalos para o mercado de alimentação humana e para os riscos daí resultantes. "O que veio a público é que estes animais estariam destinados à introdução no mercado de alimentação humana e isto põe-nos aqui um problema de saúde pública, que do qual já tínhamos dado nota na Assembleia da República. Já apresentámos propostas para a rastreabilidade dos cavalos, que representa um problema, só que, em Portugal, por falta de vontade política, não se consegue legislar nesse sentido", disse ao JN a deputada Bebiana Cunha, à saída de reunião mantida, esta segunda-feira, em Valongo, com o presidente da Câmara, José Manuel Ribeiro, e com o veterinário do Gabinete de Medicina Veterinária de Valongo, Fernando Rodrigues.

"Estamos perante a necessidade de haver brigadas de proximidade que fiscalizem e desmantelem eventuais redes de comércio ilegal e até de matadouros ilegais. Tem de haver legislação e vamos insistir nessas propostas", acrescentou a deputada do PAN.

Os maus-tratos aos cavalos foram revelados na semana passada e comunicados por denúncia anónima à Câmara de Valongo, à Brigada de Proteção Ambiental da PSP e à DGAV.

Chamada a verificar a situação no que em tempos foi uma vacaria, situada no lugar de Sampaio, na fronteira com a Maia, o Gabinete de Medicina Veterinária da Câmara Municipal de Valongo também fez a primeira avaliação da saúde dos animais.

"Fui juntamente com a DGAV verificar se havia maus-tratos a animais e se havia cadáveres de animais na exploração, como dava a entender a denúncia. Percorremos todo o perímetro da exploração, e fora dela, e não encontrámos animais mortos", relatou o veterinário municipal de Valongo, Fernando Rodrigues.

A DGAV está desde a semana passada a investigar a proveniência dos cavalos. Segundo o veterinário, citado pela Lusa, "vai progressivamente permitir a saída de alguns animais".

"Até que isso aconteça a Câmara vai continuar a vigiar o estado dos animais garantindo a sua correta alimentação e maneio", acrescentou Fernando Rodrigues, sublinhando que no "final do processo e quando houver a saída da totalidade dos animais, o local será encerrado".

Todos os animais foram fotografados e identificados por microchip.

Todos os contactos e tentativas para obter esclarecimentos junto da DGAV resultaram infrutíferos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG