Protesto

"Couves ficam pretas" devido a descargas de aterro em Valongo

"Couves ficam pretas" devido a descargas de aterro em Valongo

A população de Sobrado, em Valongo, manifestou-se mais uma vez, esta segunda-feira, junto ao aterro da Recivalongo, insistindo no encerramento do estabelecimento, que tem afetado negativamente as suas vidas, prejudicando, em muitos casos, a sua saúde.

Manuel Oliveira, de 74 anos, que sempre viveu naquela zona, alerta para o estado elevado de degradação dos terrenos que eram utilizados para cultivo. "Temos quintais e antigamente podíamos plantar tudo. Agora não. Começa a ficar tudo preto, com mosquitada e a morrer tudo. Não temos nada do que queremos em casa", lamenta, acrescentando que "para estar em casa, as janelas têm de estar todas fechadas".

O presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, a quem a população se juntou esta manhã, denunciou uma descarga ilegal da Recivalongo para uma ribeira cujo caudal "é, essencialmente, determinado pela sua pluviosidade". O autarca alertou ainda para o facto de existir um pedido de autorização da empresa à Agência Portuguesa do Ambiente para proceder a descargas deste género.

A Câmara de Valongo acrescenta que a "estação de tratamento de águas lixiviantes instalada no local para receber e tratar os lixiviados, revelou não ter capacidade para tratar o lixiviado produzido", recordando que a Recivalongo "foi condenada a pagar a multa máxima pela segunda vez, de 44 mil euros, por descarga indevida no coletor público", tendo sido contabilizada "carga contaminante superior a 300% ao valor permitido", alertando para o "histórico de reincidência da empresa".

"Pedido foi indeferido"

Por sua vez, o Ministério do Ambiente, questionado pelo JN, garante que o "pedido foi indeferido tendo em conta o volume que se pretendia descarregar na Ribeira e o facto de se tratar de uma linha de água com caudal diminuto, quase seco em estiagem e com qualidade inferior a bom". A tutela acrescenta que "após as notícias veiculadas pela comunicação social, esta segunda-feira, a Administração da Rede Hidrográfica do Norte fez deslocar os seus técnicos ao local onde não foi detetada qualquer rejeição de lixiviados".

Também a empresa responsável pelo aterro, a Recivalongo, pronunciou-se esta tarde, dando como "falsas" as acusações do presidente da Câmara de Valongo, garantindo nunca ter efetuado nem prever "realizar qualquer descarga de lixiviados para o meio hídrico". A multa referida pelo autarca, explica ainda a empresa, está "em fase de contestação por parte da Recivalongo uma vez que os fundamentos que a originam são falsos".

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