Autárquicas 2021

Habitação acessível e transportes no centro dos problemas de Valongo

Habitação acessível e transportes no centro dos problemas de Valongo

Os candidatos à Câmara de Valongo convergiram na falta de habitação a preços acessíveis mas já divergiram quanto aos transportes e ao encerramento do aterro de Sobrado, com a oposição unida no ataque ao presidente da Câmara e recandidato José Manuel Ribeiro.

Num ponto todos os candidatos à Câmara de Valongo estão de acordo: há falta de habitação a preços acessíveis. Mas em tudo o resto discordaram, num debate em que, como seria de esperar, o atual presidente da Câmara foi atacado por todos os seus adversários, em particular pela manutenção do aterro de Sobrado, pela escassez de linhas da STCP, sobretudo numa freguesia, e pela ausência do metro no concelho.

Nos últimos oito anos, Valongo até ganhou população, ofereceu rendas abaixo da média da maioria dos concelhos do Grande Porto, mas ainda faltam respostas, sobretudo para a classe média, concluíram cinco dos seis rivais do autarca, o socialista José Manuel Ribeiro. A candidata do Chega, Maria do Carmo Lopes, não compareceu ao debate.

"Não temos visto qualquer desenvolvimento em relação à habitação", apontou Armindo Ramalho, candidato pelo partido "Nós, Cidadãos!", atirando com um número que ninguém contestou: há 850 famílias em lista de espera para habitação social.

"Temos escassez de habitação social e temos rendas muito caras", concordou o candidato do PAN, Vítor Matos Ribeiro, chocado por existirem 40 casas devolutas no Bairro Mirante de Sonhos, em Ermesinde. "É um problema com 20 anos e que ninguém resolve. Isto é lamentável", reforçou a aposta da CDU, Adriano Ribeiro.

Para Miguel Santos, da coligação "Unidos por Todos" (PSD/CDS/MAIS), a solução passa, por exemplo, por a Autarquia repetir programas da gestão social-democrata, que permitiram a colocação no mercado de 1500 fogos destinados a jovens.

Mas, segundo o candidato do BE, a resolução nunca poderá passar por protocolos com o setor privado. "Temos de separar as coisas. Programas do Executivo misturados com o privado não podem acontecer porque não vão resultar", defendeu Nuno Monteiro.

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Em resposta, o socialista José Manuel Ribeiro acabou por admitir indiretamente o problema ao anunciar um investimento de 41 milhões de euros na construção de 423 casas e na reabilitação do parque habitacional.

As divergências surgiram logo no segundo tema: os transportes. Se para cinco candidatos, situações como as de Campo e Sobrado, sem serviço de transportes públicos, não podem continuar a existir, para o presidente da Câmara as linhas privadas são satisfatórias para as necessidades da população.

José Manuel Ribeiro acabou atacado por pertencer à administração da STCP, enquanto autarca, e nada fazer para garantir que a empresa chegue à freguesia de Campo e Sobrado. "Valongo paga para a STCP e não tem retorno", acusou o comunista Adriano Ribeiro. "Há mais vida para lá das empresas públicas", respondeu José Manuel Ribeiro, esclarecendo que a Autarquia é "apenas acionista" da empresa e que paga para garantir transportes "à noite e ao fim de semana".

Mas uma clivagem maior foi introduzida por Miguel Santos: "Se não colocarmos a expansão do metro em cima da mesa, nos próximos 20 anos vamos continuar arredados do processo".

"Não estou contra a ideia do metro, um dia, vir", assegurou José Manuel Ribeiro, para sublinhar as vantagens das duas linhas férreas que servem o concelho.

Também foi o candidato social-democrata a aquecer o debate ao questionar o autarca do PS sobre o encerramento do aterro de Sobrado.

"Contra factos não há argumentos. José Manuel Ribeiro nunca se opôs", acusou Armindo Ramalho. "É para fechar e ontem já era tarde", reforçou Vítor Matos Ribeiro. "A Câmara reagiu a isto muito tarde", atirou Adriano Ribeiro. "Nenhuma empresa está acima da qualidade de vida das pessoas", vincou Nuno Monteiro. "Isto foi feito completamente nas costas das pessoas", defendeu-se José Manuel Ribeiro, falando em "traição".

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