Valongo

Bugiadas e Mouriscadas juntam mais de 20 mil na maior festa de máscaras da Europa

Bugiadas e Mouriscadas juntam mais de 20 mil na maior festa de máscaras da Europa

Mais de vinte mil pessoas passaram, no sábado, por Sobrado, em Valongo, para assistir à luta entre Bugios (cristãos) e Mourisqueiros (mouros) pela posse da imagem milagrosa de S. João Baptista.

As Bugiadas e Mouriscadas, integradas nas Festas de São João de Sobrado, são a maior festa com máscaras da Europa e juntam grande parte da comunidade de cerca de seis mil habitantes, numa recriação com uma tradição com centenas de anos.

"O segredo desta festa é a paixão que os sobradenses transmitem. Ninguém fica em casa neste dia e toda a comunidade trabalha o ano inteiro, direta ou indiretamente, para preparar esta festa", afirmou ao JN, Ana Marujo - uma habitante local, orgulhosa da festa que se realiza na sua freguesia todos os anos e que, além de contar com o envolvimento da comunidade, conta já com a participação de pessoas de fora da vila, pela dimensão que atingiu no panorama nacional das festas.

Ao longo do dia, as Bugiadas e Mouriscadas trouxeram até à rua cerca de seis centenas de Bugios, mascarados, alegres e brincalhões, a dançar e a saltar, e cinquenta rapazes solteiros - os Mourisqueiros, trajados de forma aprumada com o rosto descoberto e a marchar com rigor, ao toque do tambor, que 'combateram' no Largo do Passal, pela imagem milagrosa de São João.

Trajados com vestes de veludo colorido deram cor e vida à tradição ancestral, que teve como momento alto a Procissão em Honra em de São João, a Dança de Entrada e a Prisão do Velho, que encerrou a festividade.

Albertina Marques é de Ermesinde e foi, pela primeira vez, com a família às Bugiadas e Mouriscas. "Já me tinham falado destas festas e eu tive curiosidade de vir ver como era. Estou a adorar. É uma festa muito bonita", afirmou, defendendo que não se deve deixar morrer estas tradições.

Já Olívia Neves, residente em Rebordosa, é visita habitual às Bugiadas e Mouriscadas de Sobrado. "Sou devota do São João e, além disso, gosto muito da história que os Bugios contam e o envolvimento das pessoas neste evento", afirmou.

Já classificada como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal, integrando também a Rede da Máscara Ibérica, as Bugiadas e Mouriscas encontram-se em processo de estudo científico, por uma equipa da Universidade do Minho, com vista a sua inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e lista representativa do património imaterial da humanidade da Unesco.

"Esta é uma das marcas do concelho de Valongo. É a maior festa deste género da Europa e, como tal, temos muito orgulho nela e fazemos tudo para a promover", declarou José Manuel Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Valongo.

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