Valongo

Salvam vidas com carros antigos e não têm fatos para todos

Salvam vidas com carros antigos e não têm fatos para todos

O carro mais recente que têm na corporação de Ermesinde, Valongo, é de 1998. E não tem fatos de proteção para combater incêndios estruturais para todos. Ainda assim, esta corporação que, este domingo, assinala 100 anos, continua todos os dias a salvar vidas. O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, vai condecorar esta associação humanitária.

"O Estado devia compensar os bombeiros, nem que fosse com acesso privilegiado nos estudos, com reduções no IMI ou apoiá-los, por exemplo, nas creches ou infantários, quer com valores mais baixos, quer com horários alargados. Na nossa corporação, os voluntários fazem piquetes de 50 horas gratuitas por mês ao serviço da população e para termos pessoal incentivado temos de lhes dar um rebuçado". O desabafo é de Emanuel Santos, comandante dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, em Valongo, que hoje assinalam o 100º aniversário.

O reconhecimento do trabalho abnegado destes homens e mulheres acontece este domingo, às 12 horas, assinalado numa cerimónia pública, no Fórum de Ermesinde, onde além da entrega de medalhas de mérito e crachás a uma série de bombeiros pelos anos de carreira, a própria associação humanitária será agraciada pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e pela Câmara de Valongo.

Mas a celebração arrancou às 9 horas, com uma missa, na igreja matriz de Ermesinde, seguindo-se o desfile da corporação, a partir das 10.45 horas, fazendo o trajeto: quartel-igreja-estação de Ermesinde.

Num quartel com 126 bombeiros, e em que cerca de 34% são mulheres (começaram a ingressar na corporação há 11 anos), e em que "90% do trabalho é emergência média", Emanuel Santos reconheceu ao JN que a covid-19 foi "o maior desafio do último ano". "Ultrapassamos muitas situações, porque antecipamos a pandemia, nomeadamente com medidas de higienização quando ainda não tinham sido impostas", disse.

Na corporação que conta com "31 novos bombeiros e com mais 17 que estão para começar os cursos", o comandante sublinha que o seu desejo "é poder vir a ter proteções individuais para combater incêndios estruturais para toda a gente (cada uma custa cerca de 1500 euros) e renovar a frota". Uma vez que "a viatura mais nova que temos serve para combater incêndios urbanos e florestais e é de 1998", sublinhou.

Daí que Emanuel Santos seja da opinião de que "devia ser criada uma lei que equivalesse os bombeiros todos por igual".

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