Valongo

Sobrado revive a paixão da Bugiada

Sobrado revive a paixão da Bugiada

Paixão. Será uma palavra em desuso em era de desencantos, mas em Sobrado (Valongo) há essa força maior, agregadora. "Isto é uma coisa que nasce com a gente, são paixões que se criam, é uma coisa inexplicável", diz-nos Luís Nunes, de 45 anos, com a respiração acelerada do esforço de correr ao sol no último ensaio antes da Bugiada. Veja o vídeo

Luís, motorista de profissão, vai de bugio pela tantíssima vez. É um dos perto de 750 homens, mulheres e até adolescentes e crianças que vão passar todo o dia em loucas corridas, encenações, vivendo de esforço e paixão. "Cada vez há mais gente", diz Luís Nunes, e tal confirma o presidente da Associação da Casa do Bugio, António Pinto.

A organização da tradicional Bugiada, festa que recria uma lenda de séculos e que ninguém sabe dizer quando começou, tem de restringir o acesso dos candidatos aos papéis de bugio e de mourisqueiro. Os mourisqueiros têm como condição só poderem ser encarnados por homens solteiros, mas os bugios, os desvairados bugios, não desdenham ninguém, desde que tenha força nas pernas e alegria de viver.

Há quatro ensaios públicos, mas só na festa de sexta-feira, dia de S. João, é que vemos os garridos e profusos trajes desta tradição sanjoanina. O último ensaio foi no domingo passado, com os ensaiantes a comer suor e pó. Dia 24 é a sério: os 40 mourisqueiros e os 750 bugios, estes de cara tapada, vão recriar, mais uma vez, sem que o povo de Sobrado alguma vez se canse, a lenda da estátua milagreira de S. João roubada pelos mouros aos cristãos (bugios), que emprestaram de boa-fé, para que uma princesa moura se curasse de doença ruim.

As danças de entrada são às 12.30 horas, no centro da vila; às 20.30 horas faz-se a dança do santo. De uma hora à outra, executam-se os rituais de sempre, com as pantominadas e humor peculiar que constituem a mais profunda identidade dos de Sobrado, os mais especiais valonguenses.

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