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Valongo: testes e camas para doentes num concelho paralisado

Valongo: testes e camas para doentes num concelho paralisado

Valongo é o oitavo município do país com mais casos de infeção. Câmara prepara-se para agravamento da situação. Comerciantes tentam salvar os negócios.

Sendo Valongo um concelho com elevada densidade populacional era de prever que o número de infetados disparasse. É o oitavo município do país e o sexto na Área Metropolitana do Porto com mais casos positivos, num total de 275, de acordo com os números da Direção-Geral da Saúde.

As ruas das cidades de Valongo, Ermesinde e Alfena estão vazias e a maioria do comércio fechado. O mesmo acontece nas vilas de Campo e Sobrado. A Câmara prepara-se para o agravamento da situação: montou um centro de testes e tem já camas disponíveis para receber doentes num seminário católico e num hotel.

"Só conseguimos passar por este período de medo mantendo a cabeça fria e a serenidade. Só assim é possível definir prioridades", diz o presidente, José Manuel Ribeiro, que montou um dispositivo em rede, com várias instituições, para apoio da população. São 100 mil habitantes que, tirando as "lamentáveis exceções", continuam a ficar em casa com graves repercussões no comércio local.

LOja fechada

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Mário tem uma loja de roupa interior no centro de Valongo, fechada desde o dia 9, altura em que também deixou de vender em feiras. Pijamas, cuecas, meias, roupões e outros artigos eram comercializados em Aveiro, Vale de Cambra, Marco de Canaveses, Amarante, Castelo de Paiva e Paredes. "Alguns clientes pedem artigos e querem fazer encomendas. Pedem para fazer venda online e expedir as encomendas por Correio mas eu não me meto nisso, as filas são enormes e acaba por não compensar", conta Mário "Maroto" Costa, 44 anos, dono da Gisela d"Algodão.

"O mais difícil é gerir isto psicologicamente. Nem é pelo dinheiro que não se ganha, é estar em casa, ver tudo fechado e saber que muita gente que conhecemos está doente", afirma o comerciante que aproveita o tempo para doar artigos do stock da loja. A um sem-abrigo ofereceu meias. A enfermeiros e médicos do Hospital de Amarante meias e cuecas. "Já me pediram calças de fatos de treino e "leggings" mas o meu fornecedor tem uma doença crónica e neste momento está em isolamento", diz Mário.

tentam dar a volta

Os empresários vão tentando dar a volta à paralisação geral. É o caso de Vítor Costa, proprietário de dois restaurantes no centro da cidade. Um está fechado; outro funciona como takeaway. "Foi a solução para manter todos os 18 colaboradores que assim trabalham com redução de horário". No restaurante Barril as quebras nas vendas rondam os 90%.

"Isto está a começar e não sabemos quando vai terminar. As pessoas devem ficar em casa, sendo preciso muito músculo para ajudar os mais fracos. O importante é conter o vírus e salvar vidas", diz José Manuel Ribeiro, acrescentando que a Autarquia já tem vários funcionários infetados, "o que é grave e preocupante pois é preciso manter os serviços essenciais".

Desde segunda-feira que está a funcionar que na Escola Vallis Longus o centro de rastreio numa parceria com o Laboratório Germano de Sousa, em articulação com a Administração Regional de Saúde. Em colaboração com a diocese do Porto serão disponibilizadas 117 camas nos seminários dos Missionários da Consolata e do Bom Pastor, em Ermesinde, para doentes que precisam de isolamento após deixar o hospital, e 20 quartos no Parque Hotel para utentes de lares infetados.

MEDIDAS

Reuniões diárias - Proteção Civil reúne-se todos os dias: autarquia, juntas de freguesia, PSP e GNR, delegado de saúde, Agrupamento de Saúde Maia/Valongo e bombeiros.

Refeições - Rede Social local apoia 600 pessoas com almoços para crianças das escolas em formato takeaway. O plano de emergência de apoio alimentar serve 90 refeições/dia e cabazes mensais a famílias carenciadas.

Apoio à habitação - Autarquia está a prestar apoio no âmbito das rendas sociais, tem uma linha telefónica de apoio social e outra de ajuda psicológica.

Ajuda de empresas - O apoio das empresas tem sido fundamental. Uma fabricante de componentes automóveis do concelho produziu cinco mil viseiras de proteção de profissionais de saúde.

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