Agricultura

"Como criar uma horta? Quais as culturas do mês?" A Cientista Agrícola responde

"Como criar uma horta? Quais as culturas do mês?" A Cientista Agrícola responde

Rosa Moreira, uma jovem agrónoma de Vila do Conde, é a cara d'A Cientista Agrícola, uma página na Internet dedicada à agricultura muito procurada por quem quer truques, dicas e partilhas sobre o setor.

A ideia de criar o blog "A Cientista Agrícola" surgiu em abril de 2018 quando Rosa Moreira estava a trabalhar na área, mas não se sentia motivada com o que estava a fazer. "Como eu gostava de apostar na investigação e de escrever, além de ter formação na área e de os meus pais serem agricultores, decidi então criar uma espécie de portefólio digital, enquanto procurava outra oportunidade de emprego", começa por explicar a jovem agrónoma de 26 anos, de Vila do Conde, ao JN.

Por dever da pós-graduação em Agronomia ou do mestrado em Engenharia Agronómica, Rosa estudou muitos dos temas que aborda a fundo na Internet. "Como criar uma horta?", "Quais são as culturas do mês?", "Qual a frequência das regas?" ou "Quais os nutrientes essenciais para as plantas?" estão entre as questões mais colocadas à engenheira agrónoma. "O calendário agrícola também é bastante procurado", acrescenta Rosa que, perante o sucesso da página, agora não consegue atender a todas as solicitações. "Vejo as dúvidas que abrangem o maior número de pessoas e depois tento escrever sobre esses temas", esclarece.

Com cerca de 200 mil visitantes mensais e com um alcance cada vez maior além-fronteiras - cerca de 15% dos seus visitantes já são brasileiros -, é nas zonas predominantemente agrícolas em Portugal onde o público é sobejamente maior.

O confinamento forçado pela covid-19 deu ao site um novo fôlego. "Com a pandemia, houve uma aproximação cada vez maior das pessoas à agricultura, porque houve mais condicionalismos e limitações. Foi também uma forma de as pessoas se ocuparem", resume.

Ressalvando que "não é muito comum haver um projeto digital na área agrícola", por se tratar de um setor "muito envelhecido", Rosa Moreira acrescenta que a plataforma chama a atenção por estar também associada a uma mulher jovem. "Acredito que o setor ainda é um bocado masculino. No entanto, as mulheres têm-se afirmado cada vez mais", defende.

Ciente que de que uma linguagem mais técnica afastaria pessoas menos familiarizadas com o assunto, Rosa desdobra-se em explicações corriqueiras para atrair os mais leigos na matéria. "Inicialmente tratava-se de um público profissional, com uma exploração agrícola e entendido no assunto" e para quem o blog era mais um "complemento". Depois, "generalizou-se", revela.

Apesar de despender cerca de quatro horas diárias com o site e com as redes sociais, onde escreve muitas vezes para os dias seguintes, esta está longe de ser a sua principal ocupação. Atualmente, trabalha no Instituto Nacional de Estatística, onde integra a operação de recenseamento das explorações agrícolas. "Às vezes, faço as minhas experiências e partilho as minhas dificuldades. Esta é também uma forma de me aproximar das pessoas", acrescenta.

Sobre o setor agrícola em Portugal, Rosa é perentória em classificá-lo como "bastante envelhecido" e "com arestas a limitar": "Não se aposta muito e há escassos avanços tecnológicos. No entanto, acredito que a agricultura está na moda e que as pessoas que não tenham qualquer ligação com a área vão trazer outras valências para o futuro do setor", arrisca.

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