Caxinas

Criança ferida por caravela-portuguesa em praia de Vila do Conde

César Castro

 foto DR

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Um menino de seis anos sofreu este domingo, pelas 12.30 horas, ferimentos após entrar em contacto com uma caravela-portuguesa na Prainha, uma praia concessionada nas Caxinas, no concelho de Vila do Conde.

A criança, que ficou com "queimaduras elétricas e químicas" nas virilhas, teve de ser encaminhada para o Hospital de São João, no distrito do Porto, pelo INEM, onde deu entrada na unidade de queimados pediátricos.

Encontra-se fora de perigo mas, apesar de já ter tido alta, vai precisar de se apresentar neste serviço, esta segunda-feira, para uma consulta dada a gravidade dos ferimentos.

"Na própria ambulância, aperceberam-se que aquilo era uma picada de uma caravela-portuguesa pela magnitude e evolução. A diferença entre a picada de uma caravela-portuguesa e uma alforreca são os tentáculos", explicou ao JN a mãe da criança.

Elisabete Silva contou ainda que reportou o incidente à Polícia Marítima, que terá, alegadamente, desvalorizado a situação. "Porque é que a praia não foi interdita? Perguntei-lhes. Disseram-me que enviaram uma equipa de mergulhadores ao local e que não encontraram nada. E que, como não encontraram nada, a praia iria continuar a funcionar normalmente", afirmou.

"O que me entristece é ter o meu filho na cama, sedado. Pediram-me que, se quisesse interditar a praia, enviasse um e-mail ao superior deles. Então aí pus de parte as burocracias e fiz uma publicação no Facebook a alertar [para a situação]. Eu sou mãe, sei agir em contexto de primeiros socorros, mas se fosse outra mãe poderia ter ocorrido o pior", finalizou.

Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional confirmou o incidente. "Os elementos da Polícia Marítima e uma embarcação da Estação Salva-vidas da Póvoa de Varzim efetuaram, durante a tarde, patrulhas nas praias da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde, não tendo sido avistado qualquer organismo gelatinoso", pode ler-se ainda na nota.

O JN tentou contactar telefonicamente a Capitania e Polícia Marítima de Vila do Conde este domingo à noite, mas sempre sem sucesso.

A caravela-portuguesa vive na superfície do mar e é identificada pelo seu flutuador cilíndrico, azul arroxeado, cheio de gás. Os sintomas da sua picada são uma dor forte e sensação de queimadura.

Em caso de contacto com os tentáculos de uma caravela-portuguesa, a zona afetada deve ser bem limpa com água do mar e devem ser removidos quaisquer pedaços de tentáculos que possam ter ficado presos na pele. Além destes cuidados, pode ainda ser aplicado vinagre e bandas quentes.

É importante relembrar que não se deve tocar nos tentáculos, mesmo quando o organismo aparenta estar morto na praia.