Destruição

Edifícios em ruínas há mais de uma década à entrada de Vila do Conde

Edifícios em ruínas há mais de uma década à entrada de Vila do Conde

Antigos armazéns da Câmara e da AGAL e centro de saúde são teto para sem-abrigo e toxicodependentes numa das zonas mais nobres da beira-rio. Câmara descarta culpas.

Muros meios desfeitos, edifícios destruídos e abandonados, que albergam toxicodependentes e sem-abrigo. Para quem chega de metro, a entrada em Vila do Conde mais parece um cenário de guerra. Uma extensa área com quase 200 metros de frente de rio, três processos perdidos na teia burocrática. Há um mês, o antigo centro de saúde ardeu. A discussão reacendeu e o "passa-culpas" também.

"Podiam, ao menos, demolir tudo e limpar isto", atira Maria João Machado, que mora a 500 metros.

Com a chegada do metro, em 2006, a zona ganhou uma marginal junto ao rio - a nova avenida do Ave -, alternativa à avenida Figueiredo Faria (a rua da estação). O sítio, diz Maria João, é "ótimo para caminhadas", mas, se de um lado há o rio, do outro, o cenário é desolador: os antigos armazéns da Câmara foram expropriados pela Metro do Porto para rasgar a nova avenida. A Metro construiu as novas oficinas e o que resta das antigas ficou ali, meio demolido, meio por demolir.

Da Metro serão ainda os antigos armazéns da empresa AGAL, paredes-meias com a linha, expropriados para permitir a duplicação da via. O que restou ficou.

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Entre os dois, o centro de saúde. O novo centro abriu em 2006. O edifício velho está abandonado desde então. Ao lado, o Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), que já dali saiu há duas décadas. Entre os dois, o que resta do pré-fabricado onde, até 2016, funcionou a consulta de psiquiatria do Hospital Magalhães Lemos e que ardeu na tarde de 24 de fevereiro.

Um dia depois do incêndio, e perante o coro de críticas, a Câmara veio "clarificar": "os terrenos em causa não são propriedade da Câmara, mas sim do Governo (Ministério da Saúde) e os terrenos dos antigos armazéns propriedade da Metro do Porto".

O ex-presidente da Câmara, Mário Almeida, garante que os terrenos dos antigos armazéns municipais foram trocados pelo terreno onde foram construídos os novos (cedido pela autarquia à Metro). Com os terrenos junto à linha, seria feito um "acerto de contas". O JN tentou ouvir a Metro para perceber de quem são, afinal, as parcelas. Ninguém quis responder.

A mesma "permuta" - diz - aconteceu no caso do centro de saúde. O acordo foi assinado, mas a escritura nunca foi feita. O JN tentou saber porquê. O Ministério da Saúde não responde. Ou seja, legalmente, o antigo centro de saúde é do Estado e o novo está erguido num terreno da Câmara.

O imbróglio dura, sem resolução, há mais de uma década. Nos três edifícios há sem-abrigos e toxicodependentes a morar. Quem ali mora tem medo, medo da "vizinhança", medo de um incêndio maior que possa acabar em tragédia.

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