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Feirantes ponderam protesto em Lisboa

Feirantes ponderam protesto em Lisboa

Feirantes queixam-se de discriminação quando comparados com os shoppings, que vão poder manter-se abertos

"As feiras, que são ao ar livre, não podem, mas os shopping, num espaço fechado, já podem?! Não é justo!". Atrás da banca de roupa, na Feira da Estela, na Póvoa de Varzim, Carla Silva dá voz à revolta repetida, ali, por todos os feirantes. Combater o vírus sim, "discriminar" não. Um dia depois do anúncio de António Costa, a Norte, quem vive das feiras já pondera uma grande manifestação em Lisboa. Terça-feira vão reunir-se a para "acertar agulhas".

"Vamos viver do quê?", questiona Carla Silva. Marido e mulher a vender na feira, dois filhos para criar, uma casa para sustentar, contas para pagar, milhares empatados em mercadoria que, agora, não podem vender. Carla abana a cabeça. Nem quer pensar.

Na primeira vaga estiveram três meses em casa, mas "todos". Agora, recusam ser "os únicos" a contribuir para travar a propagação do vírus. De acordo com as novas medidas ontem anunciadas, a partir de quarta-feira, há 121 municípios onde feiras e mercados de levante estão proibidos.

"Somos o comércio com menos risco de contágio, no entanto somos discriminados, perseguidos e estamos a ser aniquilados com a desculpa da covid-19. Não podemos concordar com o fecho de uma atividade comercial, quando todo o comércio equiparado se mantém em funcionamento", diz, num post publicado no facebook, a Associação de Feirantes do Distrito do Porto, Douro e Minho (AFDPDM).

Nuno Rossi organiza a Feira da Estela há 20 anos. De banca em banca, ouvia as queixas. "Temos segurança a controlar a lotação, uso de máscara obrigatório, desinfetante à entrada e em todas as bancas, a feira é ao ar livre... Não dá para entender", frisa.

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A AFDPDM, explica, vai reunir terça-feira, mas a ideia de uma grande manifestação em Lisboa já está na forja. Nuno garante que vai "à frente" e só volta "com respostas".

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