Tragédia

Casal sem-abrigo morre em incêndio em Vila do Conde

Casal sem-abrigo morre em incêndio em Vila do Conde

Um casal sem-abrigo, com cerca de 40 anos, morreu, na madrugada deste domingo, na sequência de um incêndio numa casa devoluta, na avenida Portas Fronhas, em Vila do Conde.

No quartel dos Bombeiros de Vila do Conde, o alerta caiu às 3.35 horas. À chegada ao local, as chamas, que deflagraram no rés-do-chão, já se haviam alastrado ao 1.º andar e era muito o fumo que saía pelo telhado. Roupas, cobertores, colchões e sofás velhos facilitaram a propagação das chamas.

No decorrer do combate ao incêndio, os bombeiros acabaram por encontrar o homem, já carbonizado, e a mulher, ainda viva, mas com ferimentos muito graves e em paragem cardiorrespiratória. Apesar de todas as tentativas de reanimação, também ela acabou por falecer.

O vizinho José Manuel Santos só se apercebeu do incêndio às seis. Conta que ainda viu um outro sem-abrigo, "sentado junto à estação de metro a chorar". Às vezes, havia mais gente lá a dormir, mas mais também não sabe.

O combate às chamas só terminou já de manhã, por volta das nove horas. As duas vítimas foram transportadas para o Instituto de Medicina Legal do Porto. No local estiveram os Bombeiros de Vila do Conde e de Moreira da Maia, o INEM, as viaturas médicas do Hospital Pedro Hispano e do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde, a PSP e a Polícia Judiciária, que está, agora, a investigar a origem do incêndio.

"Uma confusão"

"Muito fumo, ambulâncias, bombeiros, polícia... Era aqui uma confusão!", conta José Manuel Santos, descrevendo o cenário com que se deparou, às seis da madrugada deste domingo. José mora ali a 50 metros. Já esperava a tragédia. "Era mais dia, menos dia", atira, resignado.

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"Se o dono viesse aqui, morria outra vez", atira José. A casa, uma vivenda junto à estação de metro de Portas Fronhas, com frente para a EN206, está abandonada há vários anos. No muro, há um letreiro de uma imobiliária, na varanda do 1.º andar, lê-se: "Vende-se", mas o certo é que a casa, que pertence agora a herdeiros do dono original, está abandonada há vários anos e há muito que serve de teto aos sem-abrigo.

"P"ra aí há três anos houve um incêndio. Vieram, limparam tudo, puseram tijolos nas janelas. Pouco depois, eles [os sem-abrigo] voltaram outra vez. Fizeram buracos nos tijolos, entraram e viviam ali", conta o morador. Diz que era um casal: "Ela costumava pedir esmola à porta do [supermercado] LIDL, ele em Vila do Conde. Eram educados, boa gente. Nunca tive problemas com eles". José diz que a tragédia era "esperada": "Cozinham lá dentro, fumam, acendem braseiros... Um dia ia acontecer".

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