Vila do Conde

Elisa Ferraz recandidata-se como independente após PS negar apoio

Elisa Ferraz recandidata-se como independente após PS negar apoio

A concelhia do PS de Vila do Conde decidiu que a atual presidente de Câmara local, Elisa Ferraz, não será a candidata do partido nas próximas eleições autárquicas.

A decisão foi tomada numa reunião de militantes, realizada na noite de quinta-feira, onde os socialistas vila-condenses não aceitaram as condições impostas pela autarca para encabeçar uma recandidatura.

"Fomos surpreendidos durante a sessão quando a Dra. Elisa disse que estava disponível para encabeçar o nosso projeto, mas fez exigências que a Comissão Política, após voto secreto, decidiu, por maioria, não aceitar", começou por explicar Mário Almeida, presidente do PS/Vila do Conde.

O dirigente partilhou que nos pressupostos colocados por Elisa Ferraz para liderar uma candidatura do PS passaria por "escolher os seis primeiros da lista da Câmara Municipal, os 17 primeiros da lista da Assembleia Municipal e ser uma voz ativa nas escolhas dos candidatos à Juntas de Freguesia".

Segundo Mário Almeida, esta proposta, que era cumulativa, "inviabilizou qualquer hipótese de entendimento", considerando que era "impossível o PS/Vila do Conde passar esse 'cheque em branco'".

Segundo o presidente dos socialistas vila-condenses, a proposta colocada por Elisa Ferraz mereceu 40 votos contra, cinco a favor e três abstenções.

"A Dra. Elisa Ferraz pôs-se fora da hipótese de ser candidata pelas listas do PS, pois quem faz uma proposta como esta sabe que não pode ser aceite", concluiu Mário Almeida.

O líder do PS/Vila do Conde revelou que na próxima terça-feira haverá uma nova reunião de militantes para ser encontrado o candidato do PS à Câmara Municipal local, mas vincou que não está disponível para avançar como candidato.

"Sempre disse, nos últimos quatro anos, que estava completamente indisponível para voltar ao executivo municipal, já dei o meu contributo, e acho que o PS em Vila do Conde tem boas pessoas para este lugar".

Sobre o facto de esta decisão de não levar Elisa Ferraz a uma recandidatura ir ao desencontro das indicações das cúpulas nacionais do PS, que apontam que os presidentes de Câmara eleitos pelo partido, há quatro anos, devem, caso reúnam as condições, ser novamente apoiados, Mário Almeida não se mostrou preocupado.

"O PS nacional tem uma confiança muito grande no PS/Vila do Conde, e desde o primeiro momento, que quer um líder distrital, Dr. Manuel Pizarro quer a responsável por este processo eleitoral, Dra. Ana Catarina Nunes, disseram que confiavam na nossa decisão", vincou Mário Almeida.

Contactada para agência Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, Elisa Ferraz, eleita há quatro anos pelas listas do PS, depois de 16 anos como vereadora, considerou que o atraso no processo "passou dos limites".

"Esta situação de o PS não apresentar o seu candidato à Câmara já se arrasta, lamentavelmente, desde março, falando-se que sou a candidata natural, não pelo valor meu trabalho, mas sim por estar a ocupar o cargo", começou por afirmar a autarca.

Nesse sentido, Elisa Ferraz explicou que nesta última reunião de militantes disse que "já tinha passado demasiado tempo", que agora só aceitava ser candidata "mediantes algumas condições".

"Reconheço que as situações que impus são extremas, mas são exatamente as mesmas que o partido me tem colocado, uma vez que neste período foram feitos contactos com elementos do executivo, e para as quais não fui chamada nem foi tida a minha opinião", denunciou.

A autarca nega que as suas exigências tenham a forma de ultimato, reiterando que "o ultimato aconteceu pelo PS/Vila do Conde, que me quis impor os seus candidatos".

Elisa Ferraz confirmou que mediante este "desagradável cenário de desentendimentos" vai avançar com uma candidatura independente à Câmara Municipal de Vila do Conde, por considerar que "os munícipes reconhecem o valor do trabalho que foi feito".

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