Confinamento

Marginal de Vila do Conde: "Menos gente? Nem por isso"

Marginal de Vila do Conde: "Menos gente? Nem por isso"

Há meses que Sérgio Jesus só sai para o "estritamente necessário" e tenta ter "o máximo de cuidado". Esta manhã, cumpriu o "ritual" habitual: uma hora de exercício físico na marginal de Vila do Conde. Não notou diferenças. Uns a caminhar, outros a passear o cão, um ou outro a fazer exercício, os velhos pescadores à conversa, nenhum elemento da autoridade.

Não fosse o comércio fechado, diria que era "uma manhã normal", apesar do dever de recolhimento obrigatório. Na Póvoa, o cenário era o mesmo. Não houve "enchentes", mas foram muitos os que aproveitaram o sol para um passeio à beira-mar.

"Menos gente? Nem por isso. Acho que, em março, levamos as coisas mais a sério. Agora, as pessoas já estão fartas... É um confinamento um bocado esquisito", atira Sérgio. É assistente técnico no Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde (CHPV/VC). A pandemia bate-lhe quase todos os dias à porta. Ali, os 10 mil casos diários são muito mais do que um número.

Há quase um ano que deixou de lado os jantares, suspendeu os cafés e os encontros com os amigos. Agora, com os números a subir, concorda que eram necessárias mais restrições, mas, com tantas exceções e "o povo cansado", tem dúvidas quanto à eficácia.

"Fazem o melhor que podem. É tudo novo e é muito fácil criticar quem tem que decidir. As pessoas estão sempre insatisfeitas", alerta, sem, no entanto, deixar de criticar o "alívio" no Natal que está, agora, "a custar caro".

Ali a três quilómetros, na vizinha Póvoa de Varzim, António Correia e a mulher aproveitaram a manhã para ir "dar uma voltinha" na marginal com o neto.

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"Acho que está menos gente. Esta marginal, ao fim de semana, enche sempre", atira o homem, olhando o movimento, ainda assim longe de fazer adivinhar um recolher total. Os números preocupam-no. Já quanto às medidas, diz que, "às vezes, é difícil perceber": "Fechava tudo às 13. Resultado? De manhã, era uma confusão nos supermercados!". Para ele, vai tudo do cuidado: "Se as pessoas cumprirem as regras, não há problema".

Manuel Gomes garante que, por esta altura, sai só "de manhã para caminhar". À beira da praia, admite, "há sempre um bocadinho mais de movimento". Concorda com as novas medidas. Afinal, explica, "há que tentar baixar os números de alguma maneira".

Em Vila do Conde, junto ao Forte de S. João, Ana Martins diz que se nota "menos gente na rua". Confia em quem, "com todos os dados nas mãos, aconselhado pelos melhores especialistas", decidiu as novas regras. Só espera, agora, que resultem e que os casos comecem a baixar.

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