Vila do Conde

Muro do rio Ave está quase há um ano a ameaçar cair

Muro do rio Ave está quase há um ano a ameaçar cair

Câmara de Vila do Conde vedou o local e diz que tem "pressionado" a Docapesca, mas não há sequer obras previstas.

"É uma vergonha! É a praça principal da cidade. É feio, muito feito!", atira Carlos Costa. O muro na margem direita do rio Ave, em Vila do Conde, está a cair. Ali, na Praça da República, mesmo à entrada da cidade, há quase um ano que há grades a vedar a beira-rio. A Câmara está "muito preocupada". Em agosto, a Docapesca garantia que não havia "perigo de derrocada". Mais não diz.

"Receamos muito pelo estado em que se encontra aquele muro e pela sua fragilidade. Estamos a tentar sensibilizar a entidade competente", afirmou, na última assembleia municipal, a presidente da Câmara. Elisa Ferraz foi questionada por Telmo Ramos. O socialista lamenta a situação, que se arrasta "quase há um ano", e garante que o cais tem já "um desvio superior a 20 centímetros".

Elisa reconhece a "degradação" do muro. Diz que há já pedras que caíram, não só naquele local, mas noutros dois, mais à frente, junto à antiga Seca do Bacalhau. Garante que tem reunido com a Docapesca e com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) -nas mãos da qual está, agora, a obra na marginal atlântica -, mas, para já, nada.

A fim de evitar acidentes, alertada pelos muitos canoístas que, todos os dias, treinam no rio Ave, a Câmara vedou a zona. São cerca de 50 metros de grades, em frente ao Auditório Municipal, que impedem o acesso dos muitos que, todos os dias, ali caminham ou aproveitam a sombra para uma pausa.

O muro que delimita o leito do rio Ave estende-se ao longo de cerca de dois quilómetros, entre a Meia-Laranja e a foz do rio Ave, junto à Capela da Senhora da Guia. Do lado do rio, crescem plantas nas fendas, que abrem, ainda mais, os buracos. O muro está "visivelmente torto". O passeio, por culpa das raízes das árvores, está "aos altos e baixos". As árvores de um lado, a força da água do outro, o muro a meio.

"Vão arranjar quando houver um acidente", lamenta Carlos Costa, abanando a cabeça, resignado.

Em agosto, ao JN, a Docapesca garantia ter feito "uma primeira inspeção ao local, também com um elemento da Câmara, chegando ambos à conclusão que não se verificava perigo de derrocada". Volvidos cinco meses, a empresa, tutelada pelo Ministério do Mar, que gere os portos e lotas nacionais, mais não diz. Não há obras previstas.

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