Solidariedade

Pôs freguesia a fazer cachecóis e mantas para sem-abrigo

Pôs freguesia a fazer cachecóis e mantas para sem-abrigo

Isabel Bertão criou o Movimento Lã na Rua. Agora, até os idosos do centro paroquial estão a ajudar.

Começou sozinha, sem medo. Já que a pandemia a mandava ficar em casa, que o tempo fosse aproveitado para fazer algo útil, de preferência a ajudar os outros. O "Lã na Rua" nasceu. Não tinha grandes expectativas. Se fizesse o Natal de uma pessoa mais feliz já seria uma batalha ganha. Hoje, o movimento tem 450 seguidores e, em Mindelo, Vila do Conde, são dezenas os que, em casa e no centro de dia, estão a fazer gorros, mantas, cachecóis e meias para distribuir pelos sem-abrigo. A "moda" já pegou em freguesias e concelhos vizinhos. Isabel Bertão nunca pensou ver tantas pessoas a ajudar.

"Comecei a falar com amigos: um fez a página no Facebook - Movimento Lã na Rua -, outra arranjou lã, outra foi dizendo a outra...", sorri Isabel.

PUB

Em novembro despediu-se do restaurante onde trabalhava. Está a estudar reflexologia e quer montar um espaço seu, mas, até lá, ela, que não sabe estar parada, tinha de ocupar o tempo. Reencontrou o tricô. Decidiu que ia ajudar alguém. Nunca mais parou.

"A minha mãe dizia-me: "És maluca! Isso é muito trabalho". Mas a verdade é que se foram juntando cada vez mais pessoas. Já há gente da Trofa, de Rio Tinto (Gondomar]. Estou muito feliz", continua.

Em casa, o "Lã na Rua" aproximou-a da mãe. Agora, os serões são passados a duas, a conversar e a dar às agulhas. Há dias, quando a lã escasseava, Isabel agarrou-se à fé e "a verdade é que os donativos começaram a chegar" explica, convicta de que quando se faz o bem, Deus acaba sempre por dar "um empurrãozinho". Em tricô ou croché, uns fazem peças, outros doam lã, trocam-se ideias e fotos e o grupo foi crescendo. Agora, até os idosos do Centro Social e Paroquial de Mindelo já se "converteram".

"A maior parte sabe fazer malha e é uma forma de eles se sentirem úteis", frisa. A Junta de Freguesia é ponto de recolha e ajuda na divulgação. Cláudio Matos só vê vantagem "para quem recebe e para quem dá" e ver a união da comunidade faz o presidente da junta abrir o sorriso. A ideia é ter tudo pronto até dia 21. Depois, Isabel vai juntar-se a uma associação de distribuição de alimentos para tornar mais quentinho o Natal do máximo de sem-abrigo que conseguir.

A jovem estudou arquitetura, foi gestora de um restaurante e, em março, em plena pandemia, descobriu que queria mudar de vida. O que queria mesmo era ajudar os outros. Está a estudar reflexologia e enquanto não tem o seu espaço próprio o "Lã na Rua" vai andar por aí.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG