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Das antigas salas de cinema em Gaia a única que resiste é a de Sandim  

Das antigas salas de cinema em Gaia a única que resiste é a de Sandim  

Entre as salas de cinema que existiam no interior do concelho de Gaia, só a de Sandim continua de pé, embora fechada. O seu proprietário, Joaquim Ferreira Lopes, de 82 anos e o mais antigo a exibir filmes no país, quer reabrir o espaço. Pediu apoio à Autarquia e Eduardo Vítor Rodrigues prometeu estudar o assunto.

"O cinema foi e é a minha ilusão", diz Joaquim, a pensar no passado e a projetar o futuro, sentado num dos 321 lugares do seu anfiteatro, por agora vazio, mas que podia encher com sessões para escolas, por exemplo. Assim como o Cinema Sandim, também o Estrela, em Coimbrões, o Almeida e Sousa, em Avintes, e o Floresta, em Lever, tiveram tempos áureos. Era a época em que as fitas indianas e de cowboys esgotavam a bilheteira. Ia-se pelo cartaz, mas também para conviver. "Éramos onze e enchíamos uma fila. Mesmo que um de nós tivesse visto o filme, ia na mesma. Valia a camaradagem", lembra Bartolomeu Vaz, de 65 anos, a recordar a mocidade, quando era espectador assíduo das películas em Avintes.

Com o advento dos "shoppings" e as mudanças no circuito comercial, as alterações foram radicais. O Almeida e Sousa está entaipado, no Estrela funciona uma empresa de software e o Floresta é uma oficina. Outras opções, como o majestoso cinema em plena Avenida da República e o do Vilagaia, próximo das Devesas, desapareceram há muito da lista. As plateias do GaiaShopping e do Arrábida arrastam multidões, sendo a oferta complementada com matinés semanais nos equipamentos camarários Teatro Eduardo Brazão, em Valadares, e no Auditório, próximo da Biblioteca.