Vila Nova de Gaia

Falta de acessos põe passageiros de "língua de fora"

Falta de acessos põe passageiros de "língua de fora"

Milhares de pessoas são obrigadas, todos os dias, a subir 64 degraus para sair da estação de comboios de General Torres, em Gaia, a gare mais próxima do centro da cidade e dos múltiplos serviços que se concentram na zona da Avenida da República.

Remodelada em 1994, a estação de caminho de ferro de General Torres, com saída para a Avenida da República, em Gaia, e aquela que mais perto se encontra da zona onde se situam serviços como tribunais, as Finanças e a Câmara, ente outros, nunca teve outro acesso que não fossem escadas.

Nunca teve elevador ou escadas rolantes, tornando-se um pesadelo para pessoas com mobilidade reduzida e inacessível para deficientes motores. Uma situação claramente em desrespeito para com a legislação nacional.

Ao todo são 64 os degraus que, todos os dias, milhares de pessoas são obrigadas a subir para dali sair, seja a caminho do trabalho, das aulas ou mesmo para apanhar o metro: defronte da estação fica uma paragem da Linha Amarela.

João Vieira, de 22 anos, estudante de Medicina, é uma delas. "Sempre que saio do comboio, faço a distância entre a plataforma e o início das escadas a pensar na canseira que vou sentir. Começo sempre bem, com energia, mas a meio já vou com a língua de fora e, como infelizmente sou fumador, quando chego lá acima dá-me um ataque de tosse que só pára vários minutos depois. E eu sou novo. Não sei como é que as pessoas de idade aguentam", explicou o passageiro.

Maria Rosa Magalhães, de 72 anos, de Marco de Canaveses, que o diga. "O que me vale é que só venho a Vila Nova de Gaia uma vez por semana para ir à piscina. Se tivesse de fazer isto todos os dias, se calhar não conseguia", contou, quase sem fôlego, já a terminar o último lanço que a separava do ar livre da Praça Salvador Caetano, em frente à gare. 

"Esta estação teve sempre problemas. Durante anos, quem saía aqui tinha de subir umas escadas de madeira, tantas vezes à chuva, só para chegar à Avenida. Depois, com as obras, só fizeram asneiras. Primeiro foi o piso que era escorregadio, tanto que anos mais tarde mudaram; depois, nunca teve elevadores, o que ninguém compreendeu", criticou Tomé Ferreira, reformado.

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Contudo, a situação poderá mudar em breve se realmente for levado a cabo um projecto de remodelação da estação e do espaço envolvente e que irá ser realizado, segundo fonte da REFER, em compatibilidade com a construção da chamada Via do Centro Histórico, uma obra da Autarquia.

Segundo a mesma fonte da REFER, "a intervenção a realizar consiste na instalação de meios mecânicos de elevação (escadas rolantes e elevadores) entre as plataformas de passageiros, que serão reabilitadas, e a Rua de Jau", nas traseiras da estação.

Será ali, aliás, que passará a situar-se a entrada principal e onde serão instalados novos serviços de apoio ao passageiro, designadamente bilheteiras, casas de banho e um pequeno espaço comercial. Nessa altura, para chegar à Avenida da República bastará atravessar a referida Praça Salvador Caetano.

A REFER já deu início ao processo de consulta para adjudicação da obra, que se prevê ficar pronta até ao final do ano. No entanto, e segundo a Câmara de Gaia, o dossiê em causa ainda não está fechado. Ainda há "pormenores a discutir e a negociar com a REFER, dependendo mais desta do que da Câmara o avanço das obras", explicou, ao JN, fonte da Autarquia gaiense.

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