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O que vai mudar com a nova linha de metro de Gaia

O que vai mudar com a nova linha de metro de Gaia

Empresa escolheu alternativa com traçado mais curto e mais económico para prolongamento da linha Amarela.

O metro do Porto vai melhorar a frequência na linha Amarela, que liga Gaia ao Hospital de S. João, no âmbito do prolongamento até Vila d'Este, que trará à volta de seis mil novos clientes nos dias úteis, agravando uma taxa de ocupação que muitas vezes ultrapassa os 100% em hora de ponta. Para facilitar a circulação, também estão previstas obras no término de S. João. E nem todos os veículos farão todo o trajeto, ficando por Santo Ovídio. Para prolongar a linha D, a Metro optou pelo traçado mais curto, em resultado de um viaduto e um túnel menos extensos.

À semelhança do critério que foi usado para a linha Rosa, entre São Bento e Casa da Música, o desenho agora escolhido é o mais barato, com "menores custos de investimento, operação e manutenção".

A empresa seguiu a opção 3, eleita de entre três alternativas no estudo de impacte ambiental para a extensão da linha D, que está em consulta pública até 12 de dezembro. A alternativa escolhida é também referida no estudo como aquela que "produz menos impactes negativos". Neste caso, prende-se, por exemplo, com o facto da terceira alternativa prever um atravessamento mais afastado da zona mais nobre da Quinta do Cisne, onde passará o novo viaduto.

A empreitada para a extensão de Santo Ovídio a Vila d" Este, que inclui nesta zona um parque de material circulante, estará no terreno até final de 2019, após lançamento do concurso no primeiro trimestre. Terá a duração de dois anos, prevendo-se que comece a funcionar entre fim de 2021 e início de 2022, num investimento avaliado em 106 milhões de euros.

Haverá três novas estações (Manuel Leão, Hospital Santos Silva e Vila d'Este). E a zona de estacionamento junto ao Hospital Santos Silva será reformulada, mas a garantia é a de que será preservado o número de lugares disponíveis.

Jorge Delgado, presidente da Metro, adiantou ao JN que já estão a ser efetuadas diligências com vista a melhorar a frequência na linha existente, tendo em conta o acréscimo de passageiros previsto. Num dos percursos com maior taxa de ocupação, mais um veículo duplo a passar pode representar mais de 800 lugares.

"Roubados" ao carro

Com o prolongamento da linha Amarela, numa extensão de 3,1 quilómetros, são mais 6224 validações previstas, em média, nos dias úteis. São à volta de mais dois milhões de validações por ano. Além disso, 30% equivalem a novos clientes que são "roubados" ao transporte automóvel.

"O crescimento na frequência não tem só a ver com a extensão a Vila d'Este", ressalvou ao JN o presidente da Metro do Porto, Jorge Delgado. Prende-se também com a necessidade de reforçar a frequência no trajeto atual, que é de 10 circulações por hora e intervalos que rondam os seis minutos.

Segundo explicou, o reforço da frequência será "gradual". "Estamos já a trabalhar na melhoria das condições de sinalização para que permitam um aumento para 12 circulações" por hora e por sentido, talvez já no próximo ano, admitiu. No ano seguinte, poderão chegar a 14 passagens, graças a uma intervenção no término de S. João. Mas o objetivo, garante, é conseguir, em 2022, até 16 circulações por hora. Na melhor das hipóteses, haverá menos de quatro minutos de intervalo.

Uma das dificuldades na circulação está na Avenida da República, devido à necessidade de garantir fluidez no atravessamento viário.

O presidente da Metro destacou que o reforço da frequência na linha Amarela exige obras no término de S. João, que "é uma das limitações", devido às condições de inversão dos veículos que terão de ser melhoradas. Trata-se de "uma grande intervenção que não é simples", até por estar numa "zona crítica" junto ao hospital.

Admitida expropriação

Sobre o prolongamento, Jorge Delgado destacou que está prevista "uma rutura de frequência em Santo Ovídio". Deste modo, "nem todos vão a Vila d'Este".

Para a extensão da linha Amarela, o número de circulações chegará a metade do máximo previsto para o troço existente. Serão oito circulações por hora, entre Santo Ovídio e Vila d"Este. Mas a via estará preparada para receber até 12 passagens. O tempo previsto entre viagens para esta extensão de Gaia ronda os 7,5 minutos. Para a sua execução, a Metro do Porto garante que não está prevista qualquer demolição. Porém, o estudo alerta para eventuais expropriações de edifícios de habitação, nomeadamente na Rua do Rosário.

O designado Viaduto de Santo Ovídio vai transpor a rede viária envolvente à atual estação, nomeadamente os acessos à A1, desenvolver-se ao longo de um terreno rural, a Quinta do Cisne, atravessar superiormente a Rua Fonte dos Arrependidos, inserindo-se na encosta do Monte da Virgem. Segue-se a ligação em túnel sob o bairro da Rua do Rosário. Ali será inserida a estação Manuel Leão, a única enterrada de Gaia.

Diferenças

As alternativas de traçado são distintas entre Santo Ovídio e a nova estação do Hospital Santos Silva e coincidem a partir deste ponto até ao final do percurso.

Escavações

No caso das escavações do túnel, os eventuais assentamentos nos terrenos com consequências nas edificações à superfície constituem em todas as opções "um impacto negativo".

Habitação e vias

Afetação total ou parcial de habitações, nomeadamente de vivendas, é uma das consequências previstas. "A eventual afetação de edifícios de habitação ocorrerá no bairro à Rua do Rosário, numa área urbana predominantemente de moradias", refere o estudo. Além disso, na fase de construção, os efeitos negativos materializam-se pela perturbação rodoviária, decorrente da afetação de estradas. O estudo pede "medidas mitigadoras".

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