Gaia

Moradores da Granja em "velório" de protesto contra passagem aérea sobre a linha

Moradores da Granja em "velório" de protesto contra passagem aérea sobre a linha

Infraestruturas de Portugal está a construir passagem superior junto à histórica estação ferroviária da Granja, em Gaia, que desagrada à população que defende antes uma travessia subterrânea.

Cerca de meia centena de moradores da Granja, em Gaia, manifestou-se na manhã deste domingo junto à estação da CP contra uma travessia aérea que a Infraestruturas de Portugal (IP) está a construir no local. Após uma breve concentração, a população desfilou em marcha lenta, vestida de preto, com ramos de flores na mão e, quando regressaram para junto da estação, acenderam velas, "tal qual num velório".

"Este local pode ser bem diferente. Parem de o destruir", lia-se na faixa que seguia na frente do grupo de moradores, que defendem uma estrutura subterrânea e o arranjo à superfície com árvores e jardim, ao longo da Avenida Sacadura Cabral, onde querem criar o jardim de Sophia de Mello Breyner Andresen.

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"Estamos aqui a fazer um velório devido ao desrespeito do Estado para com o espaço público, causado por esta estrutura da Infraestruturas de Portugal. Esta passagem aérea não foi submetida a consulta pública e a população está revoltada porque considera que devia ter tido voto na matéria", afirmou Daniel Ramos, membro do movimento Cidadãos Praia da Granja.

A estrutura com dez metros de altura está em construção a escassos metros da histórica estação ferroviária da Granja que, com os seus painéis de azulejo pintados pelos artistas Licínio Pinto e Francisco Pereira da fábrica Fonte Nova, de Aveiro, é considerada uma das mais bonitas de Portugal.

"É verdade que tem um elevador mas nós sabemos como essas coisas são, se avariar como é? Então aqui perto do mar isso vai ser uma constante e as pessoas com mobilidade reduzida não poderão subir pelas escadas", acrescenta o mesmo responsável que acusa tanto a Junta de Freguesia de S. Félix da Marinha como a Câmara de Gaia de conivência com o projeto da IP.

"Tenho 84 anos e acho isto uma vergonha. É verdade que atravessar a linha é perigoso mas podiam ter encontrado outra alternativa. Tenho medo de andar de elevador e pelas escadas também não vou conseguir ir para o outro lado da linha", conta Delmina Pimentel.

Também Adelino Pereira, de 80 anos, não ficou em casa e marcou presença no protesto. "Isto é um disparate e estraga a paisagem desta zona que é tão bonita. É uma agressão incrível", considera.

O movimento apresentou já queixa no Ministério Público e vai fazer o mesmo junto das instâncias europeias, "até porque esta obra é financiada por fundos comunitários".

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