Óbito

Morreu Jorge Vilas, jornalista do Jornal de Notícias

Morreu Jorge Vilas, jornalista do Jornal de Notícias

Jorge Vilas, jornalista e cronista do Jornal de Notícias, morreu esta quarta-feira, com 77 anos de idade.

Foi vítima de um AVC, sofrido na sua residência em Mafamude, Gaia, e viria a falecer no hospital.

Nasceu em Massarelos, no Porto, no dia 23 de abril de 1942. Entrou para os quadros do Jornal de Notícias no final da década de 60. Reformou-se em 2004. Até hoje manteve uma crónica semanal na rubrica "Passeio Público", onde escrevia sobre a cidade do Porto.

"O Jorge Vilas vai deixar saudades. Jornalista dedicado, um verdadeiro cavalheiro, vestiu a camisola do JN como poucos. Foi uma inspiração para as gerações de jornalistas que se lhe seguiram", descreve o diretor do Jornal de Notícias, Domingos de Andrade.

Filho do jornalista Alberto Vilas, também do Jornal de Notícias, Jorge Vilas ganhou o gosto pelo jornalismo muito cedo, ainda quando o JN tinha as instalações na Avenida dos Aliados e aí visitava o seu pai. Cumpriu o serviço militar na Força Aérea, na Guiné. Regressado de África, começou a trabalhar no jornal, onde fez carreira na secção do Grande Porto. Também esteve na Reportagem.

Tal como o pai, foi funcionário na Biblioteca Municipal do Porto, função que desempenhou em paralelo com a carreira de jornalista. Foi assessor de Paulo Vallada, quando este ocupou a presidência da Câmara do Porto. Continuou a colaborar com o Município, nos mandatos seguintes de Fernando Cabral e Fernando Gomes.

Conhecedor profundo das temáticas do Porto, empenhou-se nas suas causas e tradições. Foi colaborador ativo nas festas de São João, nomeadamente nos concursos das cascatas. Também integrou a Comissão de Toponímia.

"A forma apaixonada como vivia os temas do Porto, e sobre eles escreveu durante tantos anos, foi uma inspiração para as gerações que se lhe seguiram. O apego ao jornal e às notícias era tal que fez questão de manter ativa, mesmo depois de se reformar do jornalismo, uma crónica semanal. Quase todas as semanas visitava a Redação, entabulando conversa com todos. Porque havia sempre uma história para contar. O jornal e os leitores só podem agradecer-lhe e, neste momento de luto, juntar-se à família e amigos no pesar", completa Domingos de Andrade.

Germano Silva, historiador e jornalista, que acompanhou o seu trajeto no Jornal de Notícias, e Fernando Gomes, administrador da SAD do F. C. Porto e que contou com Jorge Vilas na Câmara do Porto nos seus mandatos à frente da Autarquia, recordam-no como um "colaborador leal" e "muito interessado pelos assuntos da cidade".

Germano Silva, colega desde os tempos da juventude e depois seu editor no JN, fala de Jorge Vilas como um "bom jornalista, muito eficiente". Destaca o acompanhamento dado aos "assuntos da cidade", entre os quais o "urbanismo", o "desenvolvimento" e as "causas sociais". Fernando Gomes salienta o "aprofundado conhecimento" dos temas portuenses e lamenta "deixar de poder ler a sua crónica semanal no JN". Foi com "grande pesar" que recebeu a notícia da sua morte.

Amigo de longa data, Mário de Almeida, antigo presidente da Câmara de Vila do Conde e da Associação Nacional de Municípios, recorda Jorge Vilas como um "homem sereno e de consensos". Tinha-o como uma "referência", sublinhando a "dedicação e seriedade". Apreciava "imenso" as suas crónicas no JN. "Era uma pessoa encantadora, com um feitio excecional", deixa registado.

O velório terá lugar na Igreja de Paranhos, no Porto, na quinta-feira, a partir das 14 horas. O funeral, na sexta-feira, está marcado para as 14.30 horas, também em Paranhos.

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