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"Foi medonho, parecia um mar de ondas que vinha direto do Inferno"

"Foi medonho, parecia um mar de ondas que vinha direto do Inferno"

Na aldeia do Freixoeiro, Mação, os populares salvaram as suas casas, recusando a evacuação.

Maria Resende já chorou, agora está só alagada em suor. São 17 horas e à volta da sua casa, a primeira de Freixoeiro, aldeia do concelho de Mação, distrito de Santarém, está tudo enevoado de branco sujo e os eucaliptos continuam a fumegar. É de Lisboa e aquela é a casa de férias que comprou em janeiro para os quatro filhos, o marido, Duarte, e os dois filhos dele, numa ideia de fuga ao stress e ao buliço da cidade. "Já viu o batismo que tivemos?", diz ela de voz a tinir, estafada, os olhos vermelhos de não dormir, "só queríamos vir para a aldeia sossegar".