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D. José Ornelas

Abusos de crianças são "a perversão total" da mensagem de Fátima, diz D. José Ornelas

Abusos de crianças são "a perversão total" da mensagem de Fátima, diz D. José Ornelas

O abuso sexual de crianças constitui a "perversão total" da mensagem de Fátima, afirmou D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, à margem da peregrinação nacional das crianças à Cova da Iria que, esta sexta-feira, voltou a realizar-se presencialmente, depois de dois anos de paragem, com o número de participantes a ficar aquém dos anos pré-pandemia.

"A questão dos abusos é a perversão total e a inversão daquilo se diz em Fátima, da ternura de Maria para com os pastorinhos e da ternura das crianças que encontram aqui um espaço de sonho feito, onde se amassa a realidade, os sentimentos e a fé", disse D. José Ornelas.

Em declarações aos jornalistas, proferidas no final da peregrinação, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) revelou ainda que estão já clarificados com o Vaticano os critérios de acesso aos arquivos das dioceses no âmbito do trabalho da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.

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A clarificação vem na sequência de um encontro realizado no final de maio, entre elementos da CEP e representantes do Vaticano, para "expor" o modo como o processo está a decorrer. "Este é um assunto que não diz respeito apenas à Santa Sé e a Portugal. Trata-se de definir critérios que possam ser aplicados a outras igrejas, adaptados à realidade legal de cada país", salientou D. José Ornelas, sem, no entanto, avançar mais dados sobre o tema.

O bispo destacou ainda o significado "muito especial" da peregrinação das crianças no contexto atual, "em que é preciso proteger os mais vulneráveis", com "tantas crianças a fugir à guerra" e com uma pandemia que atingiu os mais novos, "sobretudo pelas suas consequências".

Já antes, durante a homilia da peregrinação, a que presidiu, D. José Ornelas assinalou que as crianças são "o tesouro mais precioso da humanidade" e, por isso, devem ser "o centro das famílias" e a "esperança do mundo". Na sua mensagem, o bispo lembrou particularmente "os meninos e meninas" da Ucrânia, que sofrem com uma guerra "injusta e cruel", que lhes mete medo, que os fere, mutila e mata". "Estão sempre nos nossos corações", afirmou, apontando a "coragem e a confiança" dos pastorinhos como exemplo para os mais novos.

D. José Ornelas agradeceu ainda a presença das crianças, que "fizeram a festa" no Santuário, e expressou gratidão ao seu antecessor, D. António Marto, confessando "orgulho em poder continuar esta tradição" da peregrinação nacional das crianças.

Por seu lado, o reitor do Santuário de Fátima reconheceu que o número de participantes esteve aquém dos tempos pré-pandémicos. Carlos Cabecinhas considerou, no entanto, que o regresso da peregrinação em formato presencial é "um momento de alegria" e um "bom sinal", que "dá ânimo e mostra que estamos a voltar à normalidade possível".

O facto de a peregrinação coincidir com um fim de semana prolongado e de este ser um encontro "muito ligado à catequese", que ainda "não retomou o ritmo" que tinha antes da pandemia, são algumas das razões apontadas pelo reitor para o número "reduzido" de crianças presentes no santuário.

"Costumávamos trazer meia dúzia de autocarros. Este ano, foram só dois", conta Vanessa Silva, catequista na paróquia da Quinta do Conde, de Setúbal, considerando que a peregrinação "calhou num dia mau, com um fim de semana prolongado".

Indiferente ao calendário, a família de Teresa Fernandes, residente em Cantanhede, cumpriu a tradição de participar nesta peregrinação. Protegidas pela sombra de árvores e chapéus, as quatro filhas, com idades entre os 14 anos e os 18 meses, aguardam, com a paciência possível, o início da missa.

"Este ano, o meu grupo da catequese não veio, mas os nossos pais fizeram questão de nos trazer", explica Cecília, a mais velha, assegurando que "não é um sacrifício", mas, antes, "um bom momento". "Fátima dá-nos paz e alento para a correria do dia-a-dia", acrescenta a mãe, revelando que a família se desloca à Cova da Iria "todos" os primeiros sábados de cada mês.

No final da peregrinação, as crianças presentes no Santuário foram presenteadas com um coração e com um espelho. "Queremos convidar as crianças a acolher Deus no coração mas também que sintam que estão no coração de Deus", explicou o reitor, expressando o desejo de que as crianças levem de Fátima o compromisso de "construir um mundo melhor".

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