Ourém

Ciclista morre atropelado depois de pedir respeito a condutores

Ciclista morre atropelado depois de pedir respeito a condutores

Uma onda de indignação invadiu esta sexta-feira os murais das redes sociais, devido à morte de um ciclista, de 26 anos, por atropelamento, na estrada da Loureira, perto de Fátima.

Há uma semana Tiago Valério partilhou na sua página de Facebook uma imagem em que se pedia respeito pelos ciclistas. "Eles não são obstáculos, fazem parte do trânsito", dizia a mensagem partilhada pelo jovem, que, por ironia do destino, sofreu o acidente fatal cinco dias depois.

Vários amigos de Tiago Peixoto Valério prometem concentrar-se, este sábado, às 14 horas, na casa mortuária de Urqueira, Ourém, para acompanharem o funeral, devidamente equipados e acompanhados pelas bicicletas. E o atleta olímpico e campeão nacional de XCO, David Rosa, já propôs a criação de uma petição a exigir mais sinalização que garanta mais segurança aos ciclistas nas estradas nacionais.

O acidente que viria a provocar a morte de Tiago Valério, natural de Urqueira, Ourém, ocorreu na quarta-feira à noite. O jovem foi colhido violentamente por um carro, ainda esteve hospitalizado na Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, mas acabaria por falecer na noite seguinte, pouco tempo antes de um grupo de amigos se reunir em oração no Santuário de Fátima, para pedir as suas melhoras.

A notícia da sua morte gerou um misto de dor e revolta. Familiares e amigos lamentam ter perdido um homem "amigo, bem disposto e muito ligado ao ciclismo" e sempre preocupado "com o bem estar de quem o rodeava". "Era o engraçado da família", confessou, ao JN, a irmã, Cláudia Valério.

Já os companheiros mais próximos não escondem o agastamento pela forma como o Tiago perdeu a vida e criticam a "falta de consciência" de muitos automobilistas em relação a quem anda na estrada de bicicleta. "Todos sentimos insegurança, porque parece que as pessoas não estão habituadas a ter ciclistas" na faixa de rodagem, lamentou Bruno Antunes, colega de trabalho e um dos que o costumava acompanhar Tiago nos treinos.

"O sentimento de insegurança é tanto que, por vezes, somos obrigados a andar no meio da estrada para forçar os condutores a mudarem de faixa de rodagem para nos ultrapassar", lembra um elemento do ABC Caxarias, o grupo de que Tiago fazia parte. "Os automobilistas desviam-se de uma moto, mas não de uma bicicleta", acrescentou.

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O corpo do jovem está em câmara ardente na casa mortuária de Urqueira, de onde sairá hoje para o cemitério local, após a missa de corpo presente.

*COM PAULO LOURENÇO

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