Religião

Peregrinos de Fátima preferem correr riscos mas fazer menos quilómetros

Peregrinos de Fátima preferem correr riscos mas fazer menos quilómetros

As novas rotas de peregrinação apresentadas recentemente pelo Centro Nacional de Cultura, em parceria com o Turismo de Portugal e autarquias, não cativaram os milhares de peregrinos a pé que se deslocaram este fim de semana ao Santuário de Fátima para participar na última peregrinação internacional aniversária do ano. "Um quilómetro a mais nas pernas faz toda a diferença", justificaram os caminhantes ao JN.

O Caminho do Norte, do Tejo e da Nazaré foram criados para proporcionar mais segurança aos peregrinos e enriquecer a experiência da caminhada com ligações ao património cultural e religiosos locais, mas o facto de tornarem os percursos mais longos e demorados, estão a desmotivar a maioria dos cerca de 35 mil peregrinos a pé que todos os anos se deslocam à Cova da Iria, para as grandes peregrinações de maio e outubro.

"Conheço a nova rota, só que desvia muito do percurso normal e nós preferimos fazer menos quilómetros, mesmo sabendo que corremos mais riscos", admitiu Filipe Fernandes ao JN, depois de cumprir a pé, pelo sexto ano consecutivo, os cerca de 180 quilómetros que separam Talhadas (Sever do Vouga) de Fátima.

Integrado num grupo de seis peregrinos, todos oriundos da região norte do país, este operário, de 42 anos, fez a sua primeira peregrinação a pé em outubro de 2014, para pedir a intercessão de Nossa Senhora de Fátima devido a um problema de saúde da mãe. A partir daí, tem feito a caminhada todos os anos, um feito que vai assinalando no seu pequeno bastão de madeira, coroado com uma imagem da Virgem Maria. Admite que passa em zonas de trânsito com pouca segurança, mas ainda assim, diz preferir o percurso tradicional.

Orlando Batista, um militar da GNR que guiou um grupo de 13 peregrinos provenientes de Seia, queixa-se do mesmo problema. "A nova rota obriga-nos a desviar muito e preferimos vir pelos caminhos que fazemos há vários anos. É que um quilómetro a mais nas pernas faz toda a diferença", confessou, admitindo que o percurso entre Coimbra e Fátima é quase todo feito pela Estrada Nacional 1, apesar dos perigos que isso comporta.

A última grande peregrinação do ano ao Santuário de Fátima reuniu este domingo cerca de 200 mil fiéis na Cova da Iria, numa celebração presidida pelo arcebispo de Seul, cardeal Andrew Yeom Soo-jung. Na sua homilia, lida em português por um sacerdote, o purpurado fez um apelo à paz na península coreana e congratulou-se pela escolha de Portugal para acolher as Jornadas Mundiais da Juventude em 2022, incentivando os portugueses a participarem ativamente no evento.

"São ocasião para proporcionar aos jovens uma visão de um mundo melhor e encorajá-los a encarar Cristo no nosso tempo, em que temos de enfrentar tantos desafios para alcançar a paz e a harmonia, pelas quais temos de rezar e trabalhar, tal como Nossa Senhora de Fátima pediu", concluiu o cardeal.